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São Paulo debaixo d’água e o silêncio do poder público

Caos em São Paulo nesta terça-feira. Em apenas algumas horas, a chuva acumulada foi de 62,2 milímetros. O normal para o mês inteiro seria chover entre 42 milímetros e 88 milímetros. É até compreensível que com essa quantidade de água a cidade entre em colapso. Mas não podemos esquecer que no mês passado a Prefeitura cortou grande parte dos recursos destinados à limpeza urbana.

Coincidentemente, nesta terça-feira o jornal Agora publicou a reportagem “Vias do centro amanhecem repletas de lixo e entulho“:

Avenidas da região central de São Paulo -como Prestes Maia, São João e Duque de Caxias- amanheceram repletas de lixo ontem, feriado nacional da Independência. Até bairros residenciais com menor concentração de pessoas, como o Brooklin (zona sul de São Paulo), sofrem com a falta de recolhimento do lixo. A sujeira chega a atrapalhar a passagem de pedestres.

Lixo jornal Agora

Com a chuva desta terça-feira, sabe onde o lixo da foto acima foi parar? Não é difícil imaginar que, se a cidade estivesse um pouco mais limpa, talvez os efeitos devastadores do dilúvio de hoje fossem menores. Certamente haveria prejuízo, haveria trânsito, haveria pane nos semáforos. Mas talvez o Rio Tietê não transbordasse, coisa que não acontecia desde 2005.

Para piorar a situação, se você entrar agora (23h45 de terça-feira) nos sites oficiais da Prefeitura e do governo do Estado, não vai ver nenhuma notícia relacionada aos problemas de hoje na cidade.

No meio da tarde o site da Prefeitura divulgou um boletim do tempo dizendo que “novas áreas de instabilidade” atingiam a cidade. Mas nem a informação de que o rodízio foi suspenso ou o que o cidadão que teve a casa invadida por enchentes deve fazer está na página…

Por meio de notas oficiais, tanto o governo municipal como o estadual se limitaram a dizer que “mobilizaram esforços” para atuarem de forma intensa e rápida. Nenhuma entrevista coletiva, nenhum anúncio de medidas emergenciais… E o governador José Serra, geralmente tão prolífico em seu Twitter, não escreve nada desde o último domingo, dia 6.

Big Pastel para prefeito

BigPastel_doAthosEle já foi tema de post aqui no Urbanistas e agora volta, depois do resultado das urnas paulistanas, como uma alternativa futura viável: pós-Kassabinho, por que não o Big Pastel?

A cena eleitoral de hoje é no estilo ‘candidato lê papelada no escritório’ — só que o dele é na calçada da Av. Paulista.

Big Pastel é amarelo e não fala (ainda). Sua trajetória é manjada: indo e vindo ali perto da galeria do cine Gemini. Tem humor desconhecido, mas parece bom; trabalha duro de sol a sol, não tolera vagabundo e não é uma perua loira desbocada.

Ele promete retirar o ISS de diversas categorias, colocar especialistas nas UBSs e fazer mais CEUs — incluindo o CEU-pastel, que ele vai explicar durante a campanha.

Ponto de alerta entre os marketeiros: não se sabe se ele é casado nem se tem filhos. Mas ele já disse, em aspas-alívio de assessor: ‘tá assim de esfiha querendo dar uns pegas’.

Urbanistas achou estranho: Athenas

Pepsi_Gelo_SXC

Paramos no bar numa sexta à noite, por acaso: íamos a outro, que estava lotado. “Aquele bar embaixo da escola de inglês” vinha a calhar.

Mesa para cinco. Por algum motivo, o garçom informou que só poderíamos ter uma para quatro — o bar estava cheio, mas havia mesas e cadeiras vazias. Como o quinto elemento só chegaria mais tarde, sentaram-se quatro e, quando o último chegou, simplesmente pegamos uma cadeira sem dar satisfação. Cadeira estofada, com braços de madeira, cara de confortável — só cara, para 4/5 da galera, que reclamou do assento depois da primeira meia hora.

Como sugere o nome do lugar, o cardápio traz pratos gregos, como a mussaka. Mas o dia era pra bar, então sanduíche, chope, petiscos, refrigerante… Pedidos feitos. A Pepsi light com gelo veio sem gelo. Deixa passar, que o papo tá bom. Uma boa porção de batatas fritas cortadas em pedaços grandes; bolotas de queijo das generosas, também. E vamos para o segundo chope.

O sanduíche sem tomate veio com tomate. A falha remete, claro, à falta do gelo da Pepsi light, mas logo a mesa se divide entre os que defendem devolver o lanche e os que defendem apenas tirar o tomate. Afinal, o tomate “contamina” o resto? Sim! Não! Frescura. Eu tenho um amigo que não pode porque tem problema de fígado e… Tomate tirado. Aquele chope não chegou e, no horizonte, nada de garçons. Um ou outro nos cantos, mirando o infinito, talvez a Acrópole. O plano era juntar mais repescagens: uma bebida e outro sanduíche também não tinham chegado.

Conversa vai, tempo também.

“Desisti do meu sanduíche”. Nova rodada de discussão à mesa. Pedimos pra cancelar? Ele pode estar vindo… Mas pode não estar, e o cara vai lembrar e pedir, pra não dar o braço a torcer… Vamos conferir depois na conta. “Nem quero mais, passa a batata”.

“Desisti do meu cosmo”. Garçom surgiu, finalmente novo pedido daquele chope. Pepsi light com gelo para substituir a bebida — nem palavra sobre o sanduíche. O cara volta com o chope e uma Pepsi normal na bandeja. “A sua é light? Ah!”.

Foi uma noite legal, claro, que a gente não estraga encontro com o pessoal por bobagem. O bar virou assunto pra risada, mas não que precisasse. Na conta, nada do sanduíche que nunca veio, e outro detalhe revelador. Na anotação daquele primeiro refrigerante, a comanda especificava, cheia de importância: “sem gelo”.

Serviço (que aqui funciona!): R. Augusta, 1.449, esquina com a R. Antonio Carlos // Fone: 3262-1945

Data-busão: tempo para viajar sobe 50%

IndependenceDay.jpgO candidato prefeito Gilberto Kassab (DEM) anunciou, a três meses da eleição, nesta quinta-feira, uma esticada no período de uso do Bilhete Único nos ônibus da capital. A partir de 28 de julho, os eleitores usuários terão 3h para fazer as 4 viagens permitidas pelo sistema. Atualmente, se quiserem gastar só uma passagem nos dias úteis, os paulistanos têm 2h para as 4 giradas de catraca.

Segundo a SPTrans, a medida foi possível porque houve economia com a queda do golpe de janela — aquele comum nos terminais, em que o cara valida o bilhete e, de dentro do ônibus, joga o cartão para o ‘fornecedor’ do lado de fora, que repassa a outro passageiro. Com o combate à fraude, diz a Prefeitura, R$ 120 milhões anuais deixaram de ser desviados.

A mudança do benefício vale para as viagens de busão — não se estende à integração com o metrô do governo do Estado, do PSDB. Também ficam de fora o Cartão do Trabalhador e o Cartão do Estudante, que já possuem descontos.

Totalmente fora do assunto, mas em tempo: ontem saiu mais uma pesquisa Ibope para prefeito. Aos números:

Marta (PT) – 35%
Alckmin (PSDB) – 32%
Kassab (DEM) – 11%
Maluf (PP) – 11%
Soninha (PPS) – 1%

A imagem é do site da campanha do candidato do DEM às eleições municipais

Shopping Cidade Jardim, a savana hype paulistana

Depois do enviAthos especial ter se aventurado pelo shopping Bourbon Pompéia, domingo foi dia de alguém do Urbanistas se embrenhar no mais novo (se é que já não abriram outro de ontem para hoje) shopping da cidade, e com direito a jardim. Cidade Jardim! Rá!

Ao errarmos a entrada uma vez, aproveitamos para passar pela Ponte Estaiada Octavio Frias de Oliveira, aquela que fica presa em cabos e não tem passagem para pedestres. Idas e vindas depois, encontramos a entrada, logo depois de um ponto de ônibus.

A garagem é um labirinto, mas muito bem sinalizada pelas dezenas de pessoas que ficam fazendo seta com os braços e apontando o caminho das vagas. As vagas, aliás, são as maiores da categoria! Cabe um utilitário sem grandes manobras e ainda sobra espaço para uma escola se samba realizar o recuo da bateria. Já o Porsche Cayenne fica na medida, mas sem perigo da bater a porta no companheiro ao lado. Mas carrões estavam em falta nesse fim de semana, ou estavam todos no valet. O preço é semelhante ao dos outros shoppings, R$5,00 a primeira hora e com sistema Sem Parar funcionando.

Ao entrar no setor das lojas, um som ambiente embala o pessoal, em altura equilibrada, pelos estreitos corredores que engarrafam em alguns momentos, mesmo com poucas pessoas caminhando por ali. E lá está o jardim, com as sibipirunas, coqueiros e outras plantas (artigo raro) transplantadas de todas as áreas do terreno para o centro e topo da construção retangular, sob a ausência de teto e o céu da metrópole. Os ventiladores de teto e a cor ocre/cimento acentuam o clima de savana urbana, e pode-se tirar uma confortável soneca nas cadeironas dos “chill outs” centrais.

Com quatro andares perceptíveis – dois em ação, um em stand by e outro ao ar livre – e mais ou menos 120 estabelecimentos comerciais funcionando (outros 60 devem abrir ao longo do ano), a riqueza de detalhes e a sensação de acolhimento, mesmo para os pobres mortais, encanta. Foco no banheiro, todo em pedra, com ralos estratégicos e um funcionário sempre à postos, que impedem a formação daquele riacho de água na pia e perto dos “espaços de desapego”. Apenas duas folhas bastam mesmo para secar muito bem as mãos. Recomendados que as mulheres, furtivamente, entrem no banheiro masculino para conhecer os mictórios, a Ferrari do segmento!

Pausa para um sorvete da Mil Frutas (R$7,00 uma bola; limão siciliano não é para os fracos) e para observar a Baked Potato, o mais simples dos pontos de alimentação espalhados por lá. Fila suportável na Lanchonete da Cidade, com vista para SP, e no Nonno Ruggero, uma ilha de mesas e cadeiras um pouco angustiante. Kosushi estava tranqüilo, e a cozinha é visível para quem está no corredor. Perca muitos minutos vendo o pessoal regar os pratos com shoyu. Sede? Não gaste com água, pois os bebedouros também são lindos e divertidos.

No terraço, depois de passar pelo andar fechado, a vista é deslumbrante e a cara é de um “quintalzão”. É por ali o acesso ao Cinemark, que é igual aos outros por enquanto, nada de mais. Ok, não tem a terrível música da Trama nas salas, enquanto o filme não começa. E ricos também furam a fila da pipoca e sentam no lugar que não compraram…

Para não sair de mãos abanando, algumas trufinhas caríssimas e saborosíssimas da superlativa Pati Piva, que tem uma esquininha lá, uma camiseta branca Zapalla, uma passada de mão nos tapumes europeus e cor de abóbora da Hermés (só em 2009), tchauzinho para Kate Moss enooorme da entrada da Longchamp e sacolas ao ar, para fazer a linha Sarah Jessica Parker. A loja mais bonita, na votação do júri popular, é a Tânia Bulhões perfumes.

Na saída, um tapa na cara para voltar ao mundo real. A porta da garagem já está meio avariada e o odor do Rio Pinheiros dá o seu recado. E evite olhar pela janela da Daslu. Tem máquinas trabalhando e concreto respingando das obras nas torres residenciais e comercial que ficam em cima do shopping e prometem agregar muito mais movimento ao ainda aprazível local.

Ah! Para quem ficou sem crédito, bateria ou ainda faz parte da parcela da população que não tem um calular (e aposto que também não tem perfil no Orkut), há muitos orelhões espalhados por lá, em pontos estratégicos, e com adaptação para deficientes.

Foto Web Luxo.

Essa é pra tocar no rádio

TV ônibus São Paulo

Bléum… Plóim… Uóum… Bléum… E esse som, naipe programa de TV dos anos 80 com guru astrólogo, rolando forte. Sei lá quantos decibéis, ou deciBléums, mas era assim que se ouvia dentro do ônibus. Nas telas, o horóscopo genérico para signos quaisquer — talvez até o de alguém que acredite. Mas a trilha era de uma altura tal que mesmo quem-estava-de-fone-com-The Killers-num-volume-pra-cantarolar-(baixo, baixo)-junto, como apurou o imenso esforço de reportagem por trás deste post, era incomodado. E plóim…

As TVs nos ônibus paulistanos já foram tema de posts aqui (há mais de 1 ano) e em outros fóruns por aí. Novidade além de passada, qual sua avaliação sobre a telinha no busão, hein?

Nesse período, temos convivido com a programação de três redes sobre nossas cabeças: TVO, BusTV e TVOut. Há algumas diferenças — a TVO, por exemplo, não tem som; a barulhenta BusTV traz videoclipes e apresentadores próprios; a TVOut reproduz trechos da BandNews. O conteúdo, porém, é bem semelhante, com serviços, entretenimento, notícias, informes da administração e propaganda (em verdade, a razão de ser de todo o resto. Você ainda lembra que as telas para passageiros surgiram no meio do bolo dos vetos do Cidade Limpa, né?).

Grosso modo, a descrição da grade lembra a das TVs abertas. Com um público heterogêneo, como o das grandes redes, as emissoras de busão optaram por atirar para tudo que é lado — mas com muito mais repetição. Muito mais. Repetição. Repetição. Muito mais repetição. Repetição. Afinal, as viagens não duram mais de… bem… uma hora, certo? Pois é.

Dia desses, quem levou cerca de 50 minutos para atravessar a Av. Paulista viu pelo menos duas vezes um pacote que incluía: as virtudes vitamínicas da escarola; campanha do agasalho; clipe da Celine Dion (como grita!); mulher de bobes na cabeça lendo fofoca de revista de celebridade; seqüência de vídeos sem crédito tirados da internet.

Mudo ou não, o cardápio que quem usa o transporte coletivo é quase obrigado a seguir ainda inclui esquetes bobos de fantoches, ‘pegadinhas’ gringas constrangedoras, noticiário velho (às 14h de uma terça-feira, o boletim era da segunda, 19h). E repete, repete, repete… Se não na mesma viagem, na próxima — já que produzir conteúdo é caro e dá trabalho; e, no ônibus, ninguém pode trocar de canal.

Sem poder, o passageiro que se dane. Goste ou não goste, vai conviver com a janela eletrônica e ainda tem de ouvir que se trata de uma melhoria primeiro-mundista que promove informação, bem-estar… E cada um com seus proBléumas.

*A foto mostra lei em desuso. O autor do post é de Leão. E o título é do ministro.