24 November 2006 | Artes & Eventos, Entrevistas, Variedades | Por sp_ana

Amanhã São Paulo fica “rural” e sapos invadem, coachando, o Centro Cultural São Paulo.
Se ontem o Los Pirata pedia o fim do carão nas noites de rock paulistanas, hoje o Sampaist entra no climão brejo-psicodélico e pede um róque (assim mesmo) mais…natureba. Aquele sem calça justa e jaqueta de couro, sabe? Chinelão no pé, samambaias ao redor, o velho e bom português, e Sá & Guarabira ao fundo.
Supercordas, banda carioca de jovens congelados nos anos 60, lança em São Paulo o disco “Seres Verdes ao Redor: Música para Samambaias, Animais Rastejantes e Anfíbios Marcianos” (Trombador Discos). O desenho do encarte feito em aquarela, é impressionante. Se saísse em vinil, ia virar item de colecionador logo, logo. Sem exagero.
Uma combinação feliz de Beatles e Clube da Esquina, com destaque para as canções “Ruradélica”, “3000 Folhas” e “Frogrock”. Com baixo, guitarras, bateria, viola caipira e até serrote, a banda faz “música clorofilada”. Entendeu?
O vocalista e ser-verde Bonifrate, explica.
Fale um pouco da trajetória de vocês.
Metade dos Supercordas veio da roça pra cidade e a outra metade sempre esteve na cidade. As duas se encontraram graças a camisas do Spacemen 3 e do Spiritualized. Tocamos juntos desde 2003 e neste ano de 2006 o barulho que fazemos andou aumentando um pouco. Temos um disco novo muito bonito sendo lançado.
Por que os leitores do Sampaist devem ir ao show do Supercordas?
Porque prometemos cogumelos alucinógenos para todos! A T.F.P. pode cortar essa parte… Coloca aí: “porque estamos lançando “Seres verdes ao redor: música para samambaias, animais rastejantes e anfíbios marcianos”.
Por qual música começar? Por que?
Pela primeira do disco, eu acredito, porque acho que a ordem não está ali por acaso. Claro que pra ouvir no MySpace você tem limitações, então que seja qualquer uma. Particularmente eu não vejo muito poder nas canções fora do disco, mas certamente há quem discorde.
No MySpace de vocês há uma salada de referências. O disco novo se aproxima mais de qual delas?
Talvez se eu respondesse, muito esforço saudável auditivo e de interpretação das pessoas seria poupado. Longe de mim.
“Música clorofilada” e “brejos psicodélicos” combinam com São Paulo?
As paisagens rurais que por vezes evocamos no caso específico desse disco podem ser tanto interiores quanto exteriores às mentes das pessoas e podem até não serem rurais (algumas canções eu até acho bem urbanas). Não sei se tal imaginário combina com São Paulo, mas certamente pode combinar com muitos paulistanos.
Hippie, folk, freak-folk, rural rock, MPBIndie…afinal, Supercordas é….
Qualquer coisa dessas aí que disserem, mas do nosso ponto de vista acho que somos a música que produzimos e já somos cascudos o suficiente como expedicionários musicais pra descartarmos termos como esses. Adotamos temporariamente nosso próprio pra todos os efeitos, e estamos ruradélicos no momento.
Que música faz você pensar em São Paulo?
“Vegas Special”, dos Telepatas; “Balada do paulista” da Lulina. Eu sempre quis fazer uma versão J. Spacemen de “Sampa” trocando ‘novos baianos’ por ‘paratibanos’, mas não sei não…
Pergunta clássica bairrista: Rio ou Sampa? Por que?
São João del Rei!
Você(s) sabe(m) que alguém é paulistano quando…
(resposta censurada!) =)
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