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Eles são Sampa e livros

Em época de Bienal Internacional do Livro em São Paulo, conversamos com Vanessa Barbara e Emilio Fraia, que, desde o lançamento de seu primeiro romance, O Verão do Chibo (Ed. Alfaguara, 2008), vêm recebendo críticas muito positivas e já estão sendo incluídos na lista dos mais originais escritores brasileiros contemporâneos. Nesta entrevista, eles falam sobre o processo de criação do livro, suas inspirações e os diversos tipos de mídia em que criam.

Como foi escrever O Verão do Chibo a quatro mãos? De quem partiu a idéia inicial do livro e como foi o processo de criação?

Escrevemos O verão em turnos. O Emilio escrevia um trecho, que podia ser de duas linhas ou de uma ou duas páginas, passava para a Vanessa e ela lia, reescrevia e seguia em frente. Foi um processo lento, principalmente no início, quando ainda não tínhamos uma voz coesa. Encontramos o tom no decorrer das páginas, quando o nosso narrador (o Menorzinho) decidiu falar com a gente. A partir daí, fomos escrevendo sem rumo, sem discutir o enredo. Fizemos alguns poucos “colóquios” para uniformizar as idéias, mas em geral foi um processo de muita reescrita, de cuidado com o texto. O Emilio gostava muito quando chegava numa parte difícil de continuar, quando ele mesmo colocava os personagens numa situação complicada e aí era só salvar o arquivo e mandar pra Vanessa, que ela resolvia. Às vezes dava a sensação de que o livro se escrevia sozinho, porque de repente a Vanessa recebia um trecho já pronto, como se tivesse ido dormir e as coisas tivessem acontecido na sua ausência. Apesar da coisa da escrita a quatro mãos ser interessante (poucos são os casos de parceria envolvendo ficção), a sensação pra gente é que ela não importa muito. O Verão pode ser lido como sendo de um único autor. A gente queria contar uma história, fazer com que o leitor se concentrasse nela e só.

Como surgiram a idéia do roteiro, o inusitado cenário da plantação de milho e os personagens?

Nós tínhamos lido uma frase do Kafka, de um conto chamado “Comunidade”, e ela dizia que “além do mais somos cinco e não queremos ser seis”. Isso foi mais ou menos ao mesmo tempo em que a gente pensou em escrever uma história cujo início fosse num tiroteio de balas de goma. Não tem muita lógica (e não sabemos exatamente como surgiu a coisa da plantação). O que nos faz pensar também que um livro não começa a ser escrito quando começa (de fato) a ser escrito. Ele começa antes e depois, e por muitas vezes — caolho, com sono, dor de barriga, soluço, apendicite, dor de dente. O Verão, que começou quando a gente se conheceu e começou de novo quando o Chibo não desceu do carro pra brincar com os amigos, começou muitas outras vezes, e quando descobrimos que os personagens não se entendiam muito bem e que tínhamos ali algo sobre a dificuldade de expressar as coisas, sobretudo as mais importantes.

Vocês foram particularmente influenciados por alguma obra ou autor? Como vocês transitam por diversos tipos de mídia (impressa e eletrônica), para escrever este romance, vocês também foram influenciados por alguma outra forma de arte, que não apenas a literatura?

Fomos influenciados pelo universo inteiro, empilhado. Folhetos publicitários de um iogurte búlgaro, a viagem Paris-Marselha do casal Cortázar-Dunlop, a hipótese de que o realismo seria “mera verossimilhança sem invenção”, um cabeludo tocando guitarra na capa de um disco. O nome “Chibo”, por exemplo, foi tirado de um personagem coadjuvante de um livro do Vargas Llosa chamado Os filhotes. Assistimos também uma porção de filmes com crianças, Brinquedo proibido (de onde pegamos a epígrafe do livro), Os incompreendidos, Zero de conduta, Zazie no metrô, Quando papai saiu em viagem de negócios. A Vanessa tirou dentes do siso, o Emilio teve apendicite, vimos A estrada (do Fellini) e também brigamos no início do capítulo seis.

Vocês dois são jornalistas e, além de terem suas próprias publicações eletrônicas (Givago, fanzine que era editado pelo Emilio e A Hortaliça, almanaque virtual editado pela Vanessa), também são colaboradores da revista piauí. Qual a diferença do processo de criação para cada um destes meios: eletrônico, impresso mensal e literatura?

No meio eletrônico de fanzines e legumes, temos liberdade (em excesso) para escrever o que nos dá na telha, pra lançar edições especiais de “bobice indomável”, pra demorar seis meses entre um número e outro e pra maquinar contos que não têm a menor razão de ser. É bom por ser um exercício divertido e sem a menor solenidade — o que procuramos estender às nossas outras produções. Na piauí, o foco maior é o jornalismo e também tentamos reproduzir os nossos vibrafones e obsessões, sem medo de experimentar, e no caso da literatura, dá pra sapatear bastante no texto e pensar mais detidamente na história (mas sem perder legumes e isqueiros jamais).

O processo de criação a quatro mãos do romance foi diferente do processo que vocês utilizaram para escrever, também em parceria, o conto “Vibrafone”, publicado no Givago?

O “Vibrafone” é uma costura de alguns e-mails que trocamos em 2003, sobre o sumiço de um vibrafone numa música. Não era pra ser um conto, não fomos trocando trechos pensando numa história, como fizemos n’O verão. Tínhamos lido o Jogo da amarelinha, do Cortázar, e estávamos realmente empolgados com o Oliveira, o Gregorovius, a Etienne e a Maga ouvindo jazz e tateando o ar sob as nuvens achatadas e vermelhas do Quartier Latin. Na época, a Vanessa gravou um CD com as músicas que aparecem no livro e deu de presente pro Emilio. Escutávamos a Bessie Smith, o Coleman Hawkins e, de repente, o Emilio percebeu que o vibrafone do Lionel Hampton havia desaparecido da música “Save It Pretty Mama”! Desse sumiço, nasceu o conto.

Apesar de o narrador do romance O Verão do Chibo ser um menino de cerca de sete anos, não se trata de uma literatura infanto-juvenil. É mais difícil escrever para adultos com uma voz narradora infantil?

A voz do nosso narrador é incomum, a visão que ele tem do mundo é muito delicada e achamos mais interessante contar a história do ponto de vista do menorzinho do que dos adultos. Um narrador-criança tem um jeito diferente de ver as coisas e, no nosso caso, tem dificuldade em entender o que está acontecendo, o que é muito interessante para o livro. É um desafio para quem escreve, mas pode ficar interessante.

Vocês estiveram recentemente na FLIP, em Paraty (RJ), como convidados da mesa “Primeiro Tempo”. Há quatro anos, na FLIP de 2004, quando vocês participaram da oficina de criação com Milton Hatoum, vocês já planejavam ter um romance publicado em breve? E esperavam passar de participantes a convidados da festa em tão pouco tempo?

Em 2004, o Emilio se hospedou num albergue cuja TV da sala ficava ligada 24 horas por dia num programa sobre emas. A Vanessa ficou num hotel cuja porta do banheiro não fechava, onde os galos gritavam às 3 da manhã e havia um comitê eleitoral no andar térreo. Ou seja: o convite não só foi inesperado como muito bem-vindo.

Que tipo de leitor vocês idealizam ou idealizaram para O Verão do Chibo? Ou que tipo de leitor vocês gostariam de ter?

Enquanto escrevíamos, não idealizamos nenhum leitor, não pensamos nos amigos nem no que a história poderia causar. Parafraseando o Quiroga: tentávamos criar a história como se ela não tivesse interesse senão para o pequeno mundo dos nossos personagens. Mas, com o livro pronto, a literatura são sempre modos de ler. A mãe da Vanessa, por exemplo, quer um leitor que perceba quão magnífico é o personagem Cabelo. Ele seria o centro do livro e tudo no mundo se encheria de desenhos alienígenas, abelhas e nariz escorrendo. Em outro lugar se ajeitou na poltrona o leitor de um Verão muito sinistro, uma história de terror, de barcos que não atracam, lagartixas cortadas ao meio, tábuas quebradas, a história de um mundo em que a imaginação tenta resistir frente a um exército de figuras mortas e empalhadas. Alguém pode dizer: é o tipo de narrativa de aventura, só que enguiçada! Há crianças, férias, verão, mas parece que o filme enroscou na máquina, que a bóia de pato furou, que as figurinhas perderam o autocolante! Ou então: é a história de um narrador que não entende direito as coisas porque, ora, é criança. É a história de pais que brigam e é a história de como, sem perceber, devagar e aos poucos, as coisas de lá se misturam com as de cá e nos transformamos em pessoas novas e estranhas para nós mesmos.

Vamos pensar em dicas de compras para a Bienal… Quais os livros favoritos de cada um, independentemente de eles terem ou não influenciado este romance?

Emilio: os contos do Onetti; o Gordon Pym e as histórias do Poe.
Emilio e Vanessa: Flaubert, Borges e Cortázar.
Vanessa: Tristram Shandy, do Sterne, e Alice, do Lewis Carroll.
Emilio: A história do olho, do Bataille; Juventude, do Coetzee; A construção, do Kafka.
Vanessa e Emilio: Salinger, A volta do parafuso, do Henry James e A invenção de Morel, do Bioy Casares.
Emilio: a revista Mad; um site que ensina a construir casas na árvore; o manual Você tem muito o que aprender, Charlie Brown!

Vanessa: O Manual de refrigeração e ar condicionado.
Vanessa e Emilio: a entrevista Truffaut/Hitchcock e as histórias do Calvin e do Haroldo.

Na Bienal Internacional, O Verão do Chibo pode ser encontrado, dentre outros, no stand de exposição da editora Objetiva.

Ela é Sampa: Thais Losso

Thais Losso é uma das estilistas mais hypes da cidade de São Paulo. Por aqui, ela já desenhou para grandes marcas como Zapping, Cavalera, Sommer…

(nota da blogueira: aliás, enquanto escrevo olho para o chão, e no meu pé, visto uma Melissa desenhada por ela, ou seja, ela é hype mesmo!)

No tempo livre ela passeia pela blogosfera e atualiza o seu blog pessoal com novidades quentinhas de ums insider do mundo fashion e mais qualquer coisa que se passe pela cabeça dela.

Nesse final de semana, Thais representa São Paulo durante a semana de moda carioca que começa no sábado (7).

De onde vem e para onde vai Thais Losso?
Vim da Aclimação e voltei pra cá depois de morar em vários lugares. E acho que no final vou pro céu, pois tenho sido uma boa moça…

Por onde anda?
Eu e meu marido não saímos muito, pois trabalhamos feito dois alucinados. Quando a gente se aventura, vamos visitar a família, os amigos ou jantar fora. Aí vamos ao Ritz do Itaim, La Frontera, Le Vin, em algum Sushi barato ou bater um hamburguer no Joakin’s, que ele adora.

A moda em São Paulo é a melhor por que…
Hmmmmmm… Não sei não se a de São Paulo é a melhor. A do Rio tá bombando. A Cantão, a Farme, a Redley, a Maria Bonita Extra e outras marcas cariocas estão fazendo beeeeem bonito nesse momento…

Onde comprar por R$5, R$50 e R$500?
Por R$ 5 na 25 de Março, por R$ 50 na C&A e por R$ 500 alguma coisa do Marc Jacobs…

O que na cidade é fashion e o que é cafona?
Fashion é qualquer pessoa autêntica na hora de se vestir, não importa o estilo que ela faça. Cafona é achar que você é superior aos demais pelas coisas materiais que possui. Isso em SP é beeeeeeeeem cafona.

Qual lugar escolheria de cenário para fazer um desfile na cidade e qual escolheria de inspiração?
Gostaria de fazer um desfile em uma cantina italiana da Móoca, aquelas com salames e mortadelas penduradas, toalhinhas vermelhas e brancas, antepasto na mesa (com beringela, parmesão, etc…) regado a muito vinho e muita música. Seria uma bela homenagem ao meu pai…

Foto: Carol Nogueira para Vogue

Ele é Sampa: Alisson Gothz

Alisson Gothz é uma figura mítica da noite paulistana. Com suas maquiagens absurdas – e feitas por ele mesmo! -, desperta ora admiração, ora medo em quem passa na porta da festa Trash 80’s aos sábados ou o encontra no Gloria, na Lôca ou pela noite afora.

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Quem tem a oportunidade de conhecê-lo de verdade, se depara com seu humor ácido, mas também com uma pessoa muito querida e carinhosa, como pude comprovar mais uma vez no final do ping-pong que fiz com ele pra publicar aqui no Sampaist.

Então, com vocês… Alisson Gothz!

alisson_ladinho.jpgHá quanto tempo freqüenta a noite de São Paulo?
Quase metade da minha vida… hihihihihi (Nota da redação: ele não quis nos dizer a idade, mas vimos no MySpace que são 31 anos. Será?)

E há quanto tempo trabalha na noite?
Dez anos, mais ou menos.

Qual o trabalho do qual você mais se orgulha?
Das performances na festa Grind, no clube A Lôca.

O que de mais legal você conquistou com o que faz?
Ser reconhecido pela qualidade do meu trabalho.

Qual casa noturna é pra você o retrato de São Paulo?
A Lôca, por ser uma grande mistura bagunçada de tudo.

Qual seu lugar preferido na cidade?
Bairro da Liberdade! Passo horas por lá…

Quando você está longe daqui, de que sente mais saudade?
Do barulho.

Um lugar inusitado que você freqüenta na cidade:
Uma padaria búlgara no Bom Retiro, cujo nome não me lembro, mas que faz doces incríveis e só quem é de lá conhece realmente. Lá também tem um mercadinho coreano que vende uns sucos de latinha ótimos!

Pra qual paulistano você manda um beijo?
Pra Ligia Helena!

Eu agradeço e retribuo o beijo! E digo que vale muito a pena conhecer o trabalho do Alisson Gothz. Você encontra mais sobre ele no MySpace, Fotolog, Flickr e no YouTube.

Depois do clique, assista a uma de suas performances mais recentes ;)

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Sampaist Entrevista: LUDOV

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A banda paulistana Ludov acaba de lançar seu segundo CD, o “Disco Paralelo”. O agora quarteto continua pop até onde pode, e jura que o ritual de passagem do primeiro para o segundo álbum foi tranqüilo. Pelo menos do lado deles. Rejeitando o rótulo de “mais maduros”, eles preferem dizer que estão apenas mais… livres.

Você pode conferir as novas músicas ao vivo nessa terça-feira, dia 10, em plena Avenida Paulista! Quer programa mais paulistano que esse?

Conversamos com o integrante multiinstrumentista Mauro Motoki (foto abaixo), também principal letrista da banda. Após o link, maiores informações sobre o show e disco.

ludov2.jpgPara os leitores do Sampaist que não conhecem o Ludov, por quais músicas eles devem começar?

Vou puxar a sardinha para o Disco Paralelo, nosso novo álbum, e dizer que eles podem começar pelas 11 músicas contidas nele.

As letras do Ludov são atuais e “cotidianas”. Como é o processo de criação dentro da banda?

Justamente nesse disco, procuramos dividir mais as autorias. Então, quando eu tinha uma idéia, por exemplo, eu começava, e tratava de passar rapidamente para os outros, mesmo que fossem apenas um par de versos ou idéias. Mas especialmente para as letras, há uma boa parcela de trabalho solitário.

Para esse novo trabalho, vocês praticamente se mudaram para o Rio. Há letras que nasceram aqui e outras que nasceram lá? A cidade tem alguma influência nas composições?

Não creio que tenha havido nenhuma letra surgida lá no Rio. Houve uma estrofe da música “Disco Paralelo” que eu lembro da gente ter completado bem em Ipanema, mas foi exceção. O Rio talvez não tenha exercido grande influência nas composições, mas certamente exerceu nas gravações.

No release de vocês há uma frase que rejeita o termo “amadurecimento”, quando se compara o primeiro CD com o segundo. O que significa dizer que a banda “ficou mais livre” neste segundo CD? Livre de pressão, do comércio, de críticas, o que seria?

Pois é. O Santiago Nazarian, que é nosso amigo e ótimo escritor, achou que o termo “maduro” era um pouco conservador, comodista, algo assim. Essa liberdade é mais do que nunca interna. Não sentimos necessidade de provar nada para ninguém. Nem para nós mesmos.

Ludov agora é um quarteto. A sonoridade da banda mudou com o novo formato?

Sim. Parte da sonoridade do novo álbum foi determinada nesse processo de reajuste.

Quais as vantagens de participar de um mega-projeto como a trilha do filme “High School Musical”? Houve alguma mudança na faixa etária do público em shows?

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Papel Pop é (quase) Sampa!

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Nós do Sampaist somos viciados em blogs, como todos sabem. Se você faz parte dessa turma, er, “nerd com muito orgulho”, certamente já deu uma passadinha no blog carioca Papel Pop. Afiado, às vezes até maldoso, o blogueiro Phelipe Cruz fala de tudo um pouco: fofocas e fotos de celebridades em momentos constrangedores, comentários sobre notícias absurdas do dia, e claro, cinema e música. As categorias são divertidas e fixas: “susto do dia”, “lixo do dia”, “frase do dia”, etc.

A diferença do Papel Pop é justamente o humor do autor. Por mais que a notícia seja batida e chata, ele consegue tirar dali algo engraçado. Não deixe de ler a fotonovela da passagem do Papa Bento XVI por aqui, por exemplo.

Phelipe é jornalista e acaba de ser contratado como editor do site da Revista Capricho! De mudança para São Paulo, ele diz já ter achado o seu canto preferido por aqui. Passado o choque, conversamos com ele para saber o que ele está achando da cidade:

papelpop2.JPGVocê acha que seu blog vai sofrer mudanças em São Paulo? O Rio de Janeiro tinha alguma influência nos seus posts (na linguagem, ou nos temas, no humor, etc)?

Acho que o Papel Pop só mudaria bastante se eu fosse morar numa cidade em que nada acontece. Aqui em São Paulo, assim como no Rio, tem sempre muita coisa acontecendo, muita informação e muita novidade. Não senti diferença. Você notou?

Ainda não… Qual foi o primeiro choque da mudança?

Acordar no fim de semana, num belo dia de sol, e perceber que não dá mais para pegar uma praia em Ipanema na barraca da Fátima, que colocava os filhos pequenos para trabalhar na areia servindo água de côco pro pessoal. Que saudade da praia… Que saudade da Fátima…

Você está há pouco tempo na cidade, mas já achou o seu canto por aqui? Cite três lugares interessantes que você conheceu nas últimas semanas.

Já achei meu canto. Estou na Bela Cintra, perto da Av. Paulista, e aqui perto tem tudo: cinema, restaurantes, clubes e o Promocenter cheio de DVD pirata. Estou no paraíso. Sobre os três lugares interessantes que conheci por aqui, adorei o clube Glória, a Bella Paulista (já comeu aquela trufa de nozes?) e a Rua Augusta de noite (quanta gente diferente, quantas prostitutas, quantos emos, que maravilha!)

Uma das categorias mais divertidas do Papel Pop é a “Susto do Dia”. Qual paulistano(a) mereceria entrar nela?

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Ele é de Sampa: Alexandre Inagaki

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Alexandre Inagaki é praticamente uma celebridade entre os blogueiros brasileiros. Seus textos, sempre bem humorados, fizeram do Pensar Enlouquece – Pense Nisso referência entre os que buscam na internet literatura descompromissada, mas honesta.

E fãs de Inagaki é o que não faltam. Basta dar uma rápida navegada pelos comentários de seus posts para perceber o quão suas reflexões mexem com a nova geração web 2.0.

Dia desses, em um vagão do metrô, um garoto trajava uma camiseta do blog. Perguntei, curiosa: “Por acaso você fez camisetas para o Pensar Enlouquece?”. Inagaki, surpreso, respondeu: “Não!”. Então contei o caso a ele. Pena que não estava com a velha e guerreira câmera a tiracolo.

E claro que toda essa fama “virtual” já lhe rendeu muitas entrevistas, matérias, citações e, obviamente, clonagem de seus geniais textos mundo afora. O último post do blog, inclusive, aborda exatamente esse assunto. Vale a pena dar uma passadinha por .

Alexandre Inagaki é um paulistano convicto e, além das respostas às nossas perguntas bandeirantes, ainda mandou de lambuja, como bonus track – foi assim que se referiu ao presente -, um poema onde declara seu carinho pela cidade.

Divirtam-se!!

Você mora na Vila Mariana, popular bairro paulistano. Se não morasse lá, qual outro bairro seria o seu refúgio bandeirante?

Morei quase 20 anos em Perdizes, e continuaria lá numa boa. Perdizes é um bairro de topografia pra lá de acentuada. Repleta de barrancos, escadarias e colinas, obriga carros menos possantes a apelarem para a primeira marcha: trata-se de uma verdadeira montanha-russa de ruas. A região, que concentra grande número de prédios residenciais, começou, de alguns anos para cá, a ganhar contornos comerciais. Marcas como Blockbuster, Sottozero, Bank of Boston e Gelateria Parmalat tornaram-se presentes, causando reviravolta significativa (e simbólica destes tempos de globalização) no perfil de um bairro caracterizado por logradouros com nomes de origem indígena, como Caiubi, Kaiowaa, Apiacás e Caetés, que é a rua onde morei. Bons tempos nos quais freqüentei assiduamente lugares como a padaria La Plaza, o restaurante Juca Alemão e o Fran’s Café da Avenida Sumaré.

São Paulo tem cheiro, gosto e cor de quê?

São Paulo é uma balbúrdia multifacetada. Ao mesmo tempo que exala o cheiro nauseabundo da marginal Pinheiros ou o odor enjoativo dos churrascos gregos do Largo 13 de Maio, também tem o cheiro de mato dos caminhos que levam ao Pico do Jaraguá ou à Serra da Cantareira. Mas esta cidade também tem o gosto da pizza do Castelões no Brás, do Häagen-Dazs de Strawberry Cheesecake na Oscar Freire, da coxinha do Yokoyama na Lins de Vasconcelos, da esfiha de carne do Jáber na Domingos de Moraes, do rodízio de churrasco do Fogo de Chão na Santo Amaro etc etc. Quanto à cor, não tem jeito: Sampa é cinza.

Um lugar para dançar, pensar, jogar conversa fora…

Pra dançar: o Studio SP, na Vila Madalena, e a quadra de ensaios da Vai Vai, no Bexiga. Pra pensar: o Centro Cultural São Paulo, na Vergueiro, a sala de espera do Aeroporto de Congonhas ou qualquer banco na Rodoviária do Tietê. Pra jogar conversa fora: compartilhando uma mesa com amigos no mezanino da Galeria dos Pães, no Empanadas da Vila Madá ou na Prainha da Paulista, aboletado na grama da Praça do Pôr-do-Sol em Pinheiros ou proseando durante uma caminhada no Ibirapuera ou no campus da USP.

Na sua opinião, qual a rua que tem a cara de Sampa?

Se fosse avenida, a resposta seria óbvia: Paulista. Como é rua, minha resposta é: Augusta. Porque ela é uma espécie de microcosmo de toda a bagunça e diversidade paulistana, resumindo a esquizofrenia típica desta cidade. É a rua do Espaço Unibanco, do Cinesesc e da Estação Vitrine; a rua das putas, habitués das saunas e casas de “entretenimento adulto” instaladas pela rua ou extraviadas do Kilt e Vagão; a rua do Pedaço de Pizza, do Frevo e do Charme; a rua do Promocenter e da Loja do Gugu, que dividem com o Stand Center da Paulista os carinhosos apelidos de “Ching Ling” e “Carrefurto”. A rua do Outs, do Sarajevo, do Vegas e do Inferno. A rua, enfim, que virou sucesso de Jovem Guarda graças a Ronnie Cord e que, ao lado da Angélica e da Consolação, foi devidamente homenageada pelo Tom Zé.

Três lugares para se conhecer por aqui antes de morrer…

Se você descer na Estação da Luz, já estará diante de três lugares imperdíveis da cidade: a própria Estação, que é belíssima, o Museu da Língua Portuguesa, o melhor presente que São Paulo ganhou no ano passado, e a Pinacoteca de São Paulo, que além de ser um belo monumento arquitetônico e de ter um ótimo acervo, possui uma agradabilíssima cafeteria no térreo e, de quebra, entrada gratuita aos sábados.

Música e filme que, segundo Inagaki, têm a cara de São Paulo?

Uma música que pra mim tem cara de café da manhã, bocejos e noites de sono interrompidas na marra é o “Tema de São Paulo”, composto por Billy Blanco e melhor conhecida pelo refrão: “Vambora, vambora/ Olha a hora, vambora, vambora”. Música executada anos a fio pela Jovem Pan AM, trilha sonora do rádio-relógio usado pelos meus pais que me acordavam para ir à escola: “São Paulo que amanhece trabalhando/ São Paulo que não sabe adormecer/ Porque durante a noite paulista vai pensando/ Nas coisas que de dia vai fazer”. Quanto a filmes, a cidade de São Paulo já serviu de locação para pelo menos duas obras-primas do cinema nacional: “O Grande Momento” (1958), de Roberto Santos, e “São Paulo S.A.” (1965), de Luís Sérgio Person. Mas um filme menos conhecido e que sou obrigado a citar nesta resposta é “Fogo e Paixão”, longa dirigido em 1988 pela dupla de arquitetos Isay Weinfeld e Márcio Kogan. Primeiro, porque o elenco é repleto de gente muito identificada com a cidade, como Rita Lee, Cristina Mutarelli, Mira Haar, Giulia Gam, Nair Belo e Carlos Moreno. E segundo, porque os cenários utilizados em “Fogo e Paixão” foram escolhidos a dedo dentre os locais arquitetonicamente mais interessantes de São Paulo, como o prédio da Bienal, o Castelinho da Rua Apa e o Edifício Bretagne.

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