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“This Is It” era isso mesmo

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E não é que o cara estava bem mesmo? Pra um monte de gente que aguardava o “This Is It”, filme que junta pedaços dos ensaios para a que seria a última turnê de Michael Jackson, o resultado é… Caramba!

Na prévia, as imagens liberadas para a TV não convenciam lá muito. Era edição demais, música de menos. Tudo meio minguado à força; talvez para proteger — assim parecia — um ídolo que podia ter virado um vovô frágil aos 50 anos. Mas, no cinema, Jackson aparece inteirão: dança, canta, reclama, pede desculpa, abençoa, manda repetir tudo de novo.

Porque o teclado está diferente do que tem no disco. Porque a guitarra tem de ser mais alta. Se liga, é a sua hora de brilhar no show, a hora da guitarra. A batida… A batida é outra; assim, olha: e explica com o som da boca. Parece que tem coisa que só está exata na cabeça dele — Jackson é o chefe que você não gostaria de ter. Distribui as insatisfações com voz doce e depois afaga.

O diretor do show e do filme, Kenny Ortega, mostra os detalhes dos clipes para aprovação, mexe no esquema do palco e negocia pequenas concessões. “Ah, MJ,você…”. Num “momento de tensão”, fica nervoso quando Jackson sobe na grua e tira a mão da barra de proteção (deve ser parecido com o que sentiu quem colocou a Dercy Gonçalves naquele carro alegórico na Sapucaí, mas vários milhões de dólares acima). “Vamos pôr um ventilador aqui”, diz Ortega. E tome ventania, fogo, fumaça. O novo “Thriller” ia ter uma aranha gigante com o cantor dentro. Jackson pede uma firula qualquer com o trator que aparece no palco em “Earth Song”. “E aí então entra o piano”, explica. Feito.

Para quem vai pelo astro de tabloide, a tela do cinema mostra, em tamanho de outdoor, o corte cirúrgico no queixo. A boca pintada; as mãos, quase transparentes. O ídolo excêntrico cercado de bajuladores.

Os dançarinos dançam e babam ovo, um monte. Os músicos, os figurinistas… É o Michael Jackson! “Estou preservando minha voz”, ele diz depois de evitar os agudos infantis de “I Want You Back”. Aí segue com “The Love You Save” e dá uma roubadinha em “I’ll Be There”, que sai bem mais suave. Fica empolgado no dueto em “I Just Can’t Stop Loving You”, que fica quase interminável. “Poxa, vocês… Era para eu me poupar. Esse é só o ensaio”.

Mas, caramba, que ensaio. Jackson montando o que quer apresentar ao público em “Billie Jean”,”Beat It”, “Smooth Criminal”… Jackson urgente, megalomaníaco. “Queremos espalhar o amor”. “Temos quatro anos para salvar esse planeta”. “O retorno… Vocês colocam esse retorno no meu ouvido, na boa, eu sei que é para o bem, mas faz uma bagunça aqui… Eu não ouço nada”. “Deus te abençoe!”. E aí, hein, o  que ia acontecer? “This Is It” dá uma puta vontade, lá no cinema, de fazer parte da multidão de um megashow que nunca nem houve.

This Is It” //112 min. // Nas próximas duas semanas em São Paulo e outras 16 cidades pelo mundo

Marabá põe cinema de shopping de cara pra rua

Agora que você já leu todos os relatos babando ovo para o retorno do cinemão de 1945; das vovós contando do glamour; dos vovôs falando dos carrões; das autoridades municipais animadinhas com a revitalização do Centro. Agora, agora, é bem provável que ainda não tenha ido ao Marabá — mas, diz aí, você pretende frequentar as novas salas?

Vamos lá, sem ressentimentos. Este post não é agourento e ninguém é besta de não querer uma região central viva; estamos apenas avaliando esse recomeço do Marabá — e o prédio já vale, mesmo, o primeiro ingresso. A iluminação externa, a fachada, o piso do hall de entrada, as colunas de mármore, os lustres, as portas, o espelho… Tudo restaurado, bonitão.

Na bilheteria, a tela com os horários dos filmes estava fora do ar; com uma tabela na mão, um funcionário ajudava quem ainda precisava escolher. As filas estavam desorganizadas; tanto na compra do bilhete quanto na saída, as faixas que deveriam organizar o fluxo muitas vezes atrapalharam. Alguma confusão com tamanhos e preços na hora da pipoca. Tudo normal de estreia e nada que seja exclusivo de lá.

Mas é meio que aí que está. Por enquanto, o prédio é a única coisa que diferencia, de fato, o Marabá. No restante, ele é igual a um cinema de shopping. As mesmas poltronas, a mesma luz, o mesmo som, a mesma lanchonete. Dependendo da sala, do hall para a frente, o mesmo clima. 

A programação inicial tem duas comédias light nacionais, cinco filmes dublados e, com legendas, um policial do Mickey Rourke – o único a estrear esta semana. A sala principal, maior e mais suntuosa, reserva o charme da recuperação da boca de cena, da pintura e dos ornamentos para o público de ‘Monstros Vs. Alienígenas’ e ‘Dia dos Namorados Macabro 3D’.

Aí vêm as desvantagens. Ao contrário do cinema de shopping, não tem estacionamento (o plano oficial é um sistema de valet, mas há um ponto de ônibus bem em frente ao cinema); o entorno é sujo, esburacado e não inspira segurança; e é nesse entorno que você passeia até chegar ao programa pós-filme.

Então ficamos assim, pelo menos até aqui: por mais que queiramos todos acreditar no renascimento, o cinema ainda é, por fora, uma ilha num centro degradado; por dentro, um ambiente ora único ora padrão, e uma programação qualquer nota.

Serviço: Cine Marabá – Av. Ipiranga, 757, Centro // Tel.: (11)5053-6996 // Cinco salas:  430, 176, 161, 133 e 122 poltronas.

3ª Mostra de Curtas Fantásticos

Tem gente que não sabe que existe literatura fanástica no Brasil. Livros de horror, fantasia e ficção-científica de autores nacionais. Imagine então curta-metragens nesses estilos?

Para divertir e também para informar, essa semana rola a Mostra Curta Fantástica. De 11 a 16 de novembro no Centro Cultural de São Paulo, Centro Cultural Banco do Brasil, Casa das Rosas, Biblioteca Viriato Corrêa, Biblioteca Roberto Santos e Cinefavela Heliópolis… uma programação diversificada que vale uma conferida.

Não deixem de visitar o site!

Nome próprio

Com Batman – Dark Knight monopolizando todas as atenções nos cinemas, é bem capaz que você não saiba que está em cartaz um dos filmes nacionais mais legais do ano: Nome Próprio. É verdade que ele não é um filme para qualquer um, mas é exatamente por isso que você deveria vê-lo.

Nome próprio conta a história de Camila, uma jovem que expõe toda a sua vida em um blog e dedica todo o seu tempo às palavras. Camila é intensa, vive os sentimentos acima da razão, não deixa de fazer o que deseja doa a quem doer. É escritora e personagem ao mesmo tempo, curtindo suas histórias e transformando as pessoas ao redor em inspiração para os seus textos.

Todo mundo que escreve em blog (ou em papel, ou na última folha do caderno de matemática) passa um tempo sozinho com seus pensamentos, indo e vindo de um mundinho que só existe dentro da cabeça, às vezes confortável, às vezes incomodo, às vezes transgressor. E é por isso que as chances de se identificar com Camila são grandes.

O filme começa quase como um monólogo, afinal a exposição pode levar a momentos de solidão difíceis de agüentar, mas conforme Camila vai rompendo barreiras, misturando o mundinho de dentro com o de fora, muitos personagens interessantes desfilam pela tela enquanto Camila busca o pedaço que falta dentro de si. Tem sexo, porres de caipirinha, banho de mar de madrugada e, principalmente, a liberdade de viver os próprios sonhos e ilusões sem medo do que os outros vão pensar.

O filme é baseado nos livros Máquina de Pinball e Das Coisas Esquecidas atrás da Estante da Clarah Averbuck. Ela foi uma pioneira nessa transição do blog para a literatura e com o cinema deu mais um passo na direção certa.

Quem interpreta a Camila é a Leandra Leal, numa atuação fora de série. Sabe aquela história de ator que se entrega de corpo e alma? É o que acontece. Só isso já valeria o ingresso, mas quem for assistir leva de brinde uma história interessante (muito próxima da minha e da sua) e a direção do Murilo Salles, que aposta mais uma vez em cinema para jovens… que pensam.

Nome próprio – site oficial(e aqui tem link para vários outros lugares).

Hancock, o “anti-herói-super-herói”

Hancock, o novo anti-super-herói de Hollywood, é o novo blockbuster que chega aos cinemas paulistanos nesta quinta-feira. Depois de Wall-e e Sex and the City, a temporada de julho promete boas risadas em frente à telona. Assista ao trailer para uma prévia das cagadas de Hancock, o herói que dorme no banco da praça, curte uma pinga e não se importa muito com as pessoas.

Do Cinema em Cena:

Hancock é um super-herói que perdeu a sua popularidade entre aqueles que ele protege quando suas tentativas de resgate nem um pouco convencionais provocaram um terrível caos na cidade. Durante um resgate, Hancock conhece Ray Embrey, um agente de Relações Públicas recentemente demitido que se oferece para representar e recuperar a imagem pública do herói.

O filme se passa em Nova York, mas uma ação da Columbia Pictures dá a você a chance de enviar fotos e vídeos da passagem de Hancock por sua cidade. Vejá por lá os vídeos que já foram publicados, siga o exemplo abaixo e envie também o seu!

Hancock, novo filme de Will Smith, estréia nesta quinta-feira em São Paulo e nós estaremos por lá (sim, fomos convidados mas este não é um “post pago”) E se você não foi convidado mas também quer ir, a Rachel, do “Eu gosto de uma coisa errada“, fez um concurso para dar um ingresso para alguém.

Espaço Unibanco no Shopping Bourbon

Foi inagurado neste fim de semana mais um bom complexo de cinemas na capital. Trata-se do novo Espaço Unibanco Pompéia, no Shopping Bourbon. Estivemos lá na última sexta-feira e aprovamos, com ressalvas, as novas salas. Com dez salas e um total de 1.661 lugares, é o maior complexo da rede Unibanco.

O Espaço Unibanco segue a linha das outras salas da rede e tenta mescar “filmes cult” com blockbusters. Em um shopping, é um pouco mais difícil agradar com os cults, então praticamente todas as salas exibiam filmes hollywoodianos. Duas salas para “Indiana Jones”, duas para “As Crônicas de Nárnia” e apenas uma revezando filmes da Mostra de Cinema Paulista.

Do Guia da Folha:

“Esta semana teremos mais blockbusters por um acaso, mas isso não espelha a programação que vamos adotar”, conta Adhemar de Oliveira, que administra o cinema ao lado de Leon Cakoff, diretor da Mostra de Cinema.

O preço dos ingressos segue a tendência dos shoppings da região, de R$ 16 a R$ 18. Quem é correntista Unibanco e apresentar o cartão na bilheteria paga meia. Além da ampla bomboniére na entrada, o novo espaço conta também com o Cine Café, um simpático café com cadeiras e poltronas bem confortáveis para aguardar o início do filme.

A sala visitada na útlima sexta-feira é a maior de todas e estava bem confortável. Ar condicionado em uma temperatura agradável, som e qualidade da imagem que não comprometem (não somos especialistas). As poltronas são um pouco menores que as da rede Cinemark e ainda estão meio duras, afinal pouca gente deve ter sentado ali até agora. A única ressalva é que o apoiador de braço não sobe, deixando os casais separados por um pedaço de plástico.

No geral, o novo cinema fecha uma lacuna na região do Sumaré/Pompéia, que não tinha muitas opções boas até agora.