Cadê o trânsito?

O que aconteceu com o trânsito de São Paulo nesta semana, alguém reparou? Onde foi parar? Será que foi o começo das férias escolares ou a nova regra que impede que caminhões circulem nas principais vias centrais da capital? Quantas perguntas!

Desde que restrição aos caminhões de grande porte entrou em vigor, os congestionamentos na cidade tiveram uma queda brusca, perceptível pela maioria dos motoristas (e ciclistas) da cidade. O problema é que junto com a nova lei, veio o início das férias nas escolas e muitos carros deixaram as ruas também por causa disso.

Da Folha Online:

O desrespeito às novas medidas para restrição de circulação de caminhões na cidade de São Paulo, que entraram em vigor na segunda-feira (30), já renderam 2.802 multas. A intenção da nova restrição veicular, segundo a prefeitura, é provocar a retirada de cerca de 100 mil dos 210 mil caminhões que rodam na área central –uma melhoria de 14% a 17% no trânsito.

Nesta tarde, representantes dos caminhoneiros se reunem na Secretaria Municipal de Transportes para tentar reverter a lei. Segundo os caminhoneiros, a mudança de horário do uso dos caminhões será refletida no preço dos produtos vendidos aos consumidores. E você, o que acha? É a favor ou contra a restrição? Deixe seu comentário abaixo!

Foto (de dezembro de 2007) no Flickr do Hernandes.arte.



5 Responses to “Cadê o trânsito?”

  1. Com férias escolares e sem caminhões. Beleza!

    Foi boa a data escolhida para o início da restrição de caminhões em Sampa. Com as férias já há alguma diminuição no volume de motoristas. O efeito geral resultante ajuda a dar mais valor ao espaço deixado pelos caminhões.

    Já era hora. Quanto mais serviços públicos forem transferidos para as madrugadas melhor.

  2. É um tanto injusto penalizar os caminhoneiros ? Acho que é, mas alguma medida mais drástica tinha que ser tomada.

    Quanto ao argumento de que pode causar aumento de produtos acho que deve-se incluir na conta os prejuízos causados pelo trânsito.

  3. Sou a favor de outra medida drástica: proibição de estacionamento nas ruas do centro. Aí sim, ia ficar uma beleza! Inclusive quando as férias acabarem e a cidade for inundada pelos VUC.

    Ops, mas aí perde muito voto, não é mesmo? Paulistano não gosta de mexer a bunda, quer deixar ela coladinha no banco do carro. Melhor mexer com uma categoria com menos força política e fazer com que todos, inclusive os que não têm carro, paguem por isso.

    Ao menos a indústria automobilística continua batendo um recorde atrás do outro! E resolvendo os problemas de trânsito. Nos comerciais de carro, pelo menos, tá tudo sempre tranquilo.

  4. Tirar os caminhões da rua não ajuda em nada. É uma medida populista, para mostrar que a prefeitura está fazendo alguma coisa e contar pontos para a próxima eleição.

    Terem iniciado a proibição de circulação no mesmo dia do início das férias não foi coincidência. Assim aproveitam a diminuição de congestionamentos que já ocorreria devido às férias e emprestam ela à medida de restrição de caminhões. Notem que, com poucas exceções (como o Urbanistas), a mídia em geral divulga informações sobre a diminuição do trânsito relacionando-a apenas aos caminhões, “esquecendo” de falar das férias.

    Não digo que isso seja proposital: acredito mais na incompetência e nas coisas (mal) feitas com pressa do que na má fé. Os órgãos municipais divulgam a informação e os órgãos de mídia a repassam no copy/paste, sem opinar ou refletir sobre o assunto.

    Nos telejornais, anunciam de boca cheia que “com a medida, espera-se retirar 85 mil caminhões das ruas diariamente”. Ok, 85 mil… Mas tem TRÊS MILHÕES E MEIO de veículos na rua! Como é que pode melhorar tanto o trânsito tirando 85 mil caminhões, no meio desses três milhões e meio??

    Façamos pois alguns cálculos grosseiros, porém otimistas. Vamos supor que um caminhão impacte o trânsito umas três vezes mais que um carro de passeio:
    85 mil caminhões x 3 = impacto semelhante a 255 mil carros

    255 mil representa 7,3% de 3,5 milhões. Legal! Mas… os congestionamentos diminuiriam em 7,3%?

    Imagine que muitos desses caminhões serão substituídos por vans. A carga de um caminhão pode precisar ser dividida em até 3 vans.

    Vamos supor que 1/3 desses caminhões seja substituído por, em média, 2 vans (estimativas modestas, hein) :
    1/3 de 85 mil = 28 mil
    28 mil caminhões divididos em 2 vans = 56 mil vans

    Ou seja, retiraria-se da rua 57 mil caminhões e acrescentaria-se 56 mil vans.

    Sendo ainda otimista e considerando que cada van impacta o trânsito em 1,5 vezes o que um carro impactaria, temos:
    - Menos 57 mil caminhões: impacto equivalente a 171 mil carros
    + Mais 56 mil vans: impacto equivalente a 112 mil carros
    = Saldo: equivalente a 59 mil carros, o que dá 1,7% daqueles 3,5 milhões…

    Grande ajuda!

    Tudo isso sem considerar que o congestionamento não é linear: passou de uma certa quantidade de carros, não tem como ficar mais ou menos entupido, fica tudo parado e pronto. Afinal, tem muita diferença um dia com 280km de congestionamento e um dia com 250? Se fosse linear, deveria ser uma diferença de mais de 10%… Esse 1,7% mudam alguma coisa?

    Também não considerei na conta os 800 veículos novos que entram em circulação diariamente.

    Sobre aumentar os preços, é óbvio que vai influenciar! Imagine que você tem um mercadinho que costuma fechar às 8 da noite. Você costumava receber as mercadorias ao longo do dia, mas agora vai ter que receber de madrugada. Quem vai ficar lá pra receber a mercadoria, armazenar, registrar a entrada? Algum funcionário, pago pra isso… Ou você, dono do mercado, que vai ter que colocar alguém no seu lugar de manhã para não ter que trabalhar 16 horas por dia. Esse custo vai ser repassado para o consumidor, claro. Pode até ser pequeno, mas vai.

    Mesmo nos casos em que a entrega só vai mudar de dia, a loja pode precisar aumentar os estoques, para durarem um dia a mais. Estoque também tem custo, como qualquer pessoa com formação ou vivência nessa área sabe. O dinheiro desse custo vai sair de algum lugar – adivinhe de onde?

    Há mais custos adicionais. Uma entrega à noite tem maior custo de pessoal. Os roubos de cargas simples terão também uma pequena porcentagem de aumento, o que também gera um custo adicional que vai sair do bolso do consumidor. Os transportes que forem divididos em veículos menores terão frete mais caro, afinal sai mais caro transportar em três vans do que em um caminhão pequeno, até pelo aumento de pessoal alocado na entrega.

    Essa medida é só pra passar um pano porque a eleição tá chegando. Não adianta colocar a culpa nos caminhões, nos acidentes, na chuva, nos carroceiros, nos semáforos não-inteligentes e até no próprio rodízio. O problema do trânsito é muito carro na rua! E isso só vai ser resolvido quando o município der aos cidadãos melhor transporte público (o que não é o mesmo que ônibus com TV) e quando as pessoas se tocarem que o trânsito é causado pelos carros que elas mesmas dirigem. Não adianta esperar a solução cair do céu, cada um tem que fazer a sua parte. Reclamar e colocar a culpa nos outros é fácil…

    Fizeram o rodízio pra diminuir os carros na rua nos horários de pico, até que o dia todo virou pico. Agora proíbem os caminhões, o que também não vai resolver nada. No mês que vem, quando as férias acabarem e tudo entupir de novo (na verdade está entupido já, mas comparado com o mês passado parece refresco), quero ver o que vão dizer. Provavelmente vão achar outro culpado da vez.

  5. Pesquisando sobre transito vejam que site interesante
    http://www.cemara.com.br/quero-minha-casa-no-campo/