Só este post não tinha ido ao Acrópoles?

acropolis2.jpg

“Zúlia! Vozê ama cassorro de André mas eu ama vozê!”. As aspas são do Sr. Petrakis global, grego dono de restaurante, citado na desciclopédia. O Sr. Petrakis de São Paulo fala bem menos engraçado e, em carne e osso, a gente sabe que fica difícil segurar a bonachice (! 6 citações no Google) à Tony Ramos. 

No Bom Retiro, Thrassyvoulos Georgios Petrakis é quem comanda o restaurante de que todo mundo já ouviu falar e a que muitos já foram. A casa foi inaugurada em 1959 e está lá, firme e forte — provavelmente com os mesmos pratos de friso azul (os que ainda têm o friso…), as mesmas imagens de paisagem (mais amareladas), a mesma geladeira-vitrine transparente de décadas anteriores. O jogo americano plástico com propaganda tosca e desbotada, por exemplo, tem cara de anos 90. Mas o forramento de prêmios na parede, este anda bem atualizado.

O lugar é pequeno e lota. Na entrada, concorrendo com a eventual fila de quem quer pagar a conta, está um balcão refrigerado com sobremesas e outras iguarias, daqueles da padaria da esquina (sabe como é, ele ‘orna’ com a geladeira do parágrafo anterior). Por todos os lados, além da decoração kitsch (colunas de gesso pintadas de azul esmaltado, fotos de painel de agência de viagens, garrafas de azeite), contribui para o efeito ‘caos’ o fato de as mesas estarem dispostas no que parece uma seqüência de corredores — em vez de um salão. O pé-direito é alto (mais azul no teto, claro), o que dá algum alívio.

Se você já está sentado, é melhor escolher logo. Não rola esperar outros amigos chegarem nem chamar uma cerveja para começar — os garçons e o próprio Sr. Petrakis vão insistir para que o pedido seja feito. Ok, pode ser uma salada de entrada, mas é a salada terminar e… O que você está fazendo aí parado? É hora de levantar e ir até a janela da cozinha escolher sua refeição.

Pela abertura, os clientes vêem as travessas e as panelas. Quando se escolhe um item, o cozinheiro informa os acompanhamentos. A lula recheada, por exemplo, vem com polvo ao vinho e risoto de frutos do mar; o camarão pode ser com risoto ou arroz e batata; a mussaká é servida sozinha — mas tudo é muito bem servido. Pratões na mão, voltamos à mesa.

E como é bom. Comida ‘com sustância’ — sua mãe vai ficar orgulhosa que o filhão está comendo bem fora de casa. Tanto que uma boa idéia é dar uma olhada nos pedidos da mesa do lado antes de encarar um sozinho; até para pensar em meiar duas combinações pra experimentar um pouco de tudo. Ah, no momento da comida pode ficar sossegado, que ninguém atrapalha. Mas é limpar o prato e lá vem o batalhão apressado pra oferecer sobremesa e cafezinho.

Cheio de fama e com a cozinha de primeira, o Acrópoles não é tão barato. Uma refeição completa fica em torno de R$ 55,00.

Então, o resumo é assim: o ambiente é feio-estranho-aconchegante-estranho. É apertado. Não fomos lá muito bem tratados. É quase caro. E todo mundo recomenda, porque vale muito a pena.

Acrópoles: Rua da Graça, 364, Bom Retiro // Tel.: 3323-4386 // Aberto das 6h30 às 23h30

*A foto é montagem de divulgação da novela com a do restaurante. Diz a lenda (e dizem algumas reportagens de jornal) que o nome da personagem do Tony Ramos foi, de fato, inspirado na família do Sr. Thrassyvoulos.



Comments are closed.