Lata d’água na cabeça. Bem no meio da testa.

abridor de lata

Caramba, as escolas de lata. Há cerca de oito anos o tema é recorrente nas discussões políticas na cidade; mesmo tempo em que se diz que o improviso tosco será resolvido.

Nesta semana de volta às aulas, o SPTV, da Rede Globo (vídeo e texto), mostrou imagens de contêineres que ainda abrigam estudantes em São Paulo. Estão mais bonitos, é fato: uma das estufas (vejam bem, longe do sentido do cultivo do crescimento) de alunos exibida tinha paredes (?) brancas de tinta esmaltada e janela com simpático acabamento azul na moldura. Os otimistas dirão que não há mais escolas de lata, como já foi alardeado pela Prefeitura — restam, agora, salas de lata. Ah, então tá.

Fato é que 2008, ano eleitoral, começa no canto da sala e vestindo chapéu com orelhas de estupidez. Muito aquém do urgente cerne da questão — há crianças estudando em ambientes inadequados e prejudiciais –, é espantoso constatar como todo mundo prometeu que acabaria com o legado (da gestão Celso Pitta, é verdade), mas ninguém conseguiu. Não por completo. Não até ontem. Não conseguiu, mesmo tendo a cidade prefeitos de estatus político, e portanto força política, nacional.

Enfim, um novo outubro vem aí. Pra quem quiser irritar os nervos de aço, algumas lembranças da lataria:

2004A prefeita Marta Suplicy prometeu acabar com elas até o final deste ano, quando termina seu mandato. Segundo a prefeitura, das 61 “escolas de latinha” que foram criadas na gestão anterior, dez não existem mais, 34 estão em construção para substituí-las, e 17 serão readequadas no local. Mais

2004No encerramento, Serra aproveitou o Dia dos Professores para parabenizar os docentes e dizer que “educação não é apenas prédio, e sim ensino de qualidade e professores motivados”, em uma crítica indireta aos CEUs (Centros Educacionais Unificados), principal bandeira de Marta no setor. Também disse que vai fazer a “lição de casa” que é “tirar milhares de alunos das escolas de lata”. Mais

2005O secretário de Educação, José Aristodemo Pinotti, disse que a meta é substituir todas as escolas de lata por escolas de alvenaria até o fim do ano. Mais

2006A Prefeitura de São Paulo desativou ontem, a três dias das eleições, a última escola de lata –estrutura feita de chapas metálicas parecidas com contêineres. Mas ainda restam 56 salas na cidade feitas desse material. Mais 

2007Também havia 192 salas de lata, montadas como extensões de diversas escolas. Restam apenas 24 delas, que serão eliminadas até o fim deste anoMais

Imagem – Wikipedia. Ou num bairro não tão longe de você…



2 Responses to “Lata d’água na cabeça. Bem no meio da testa.”

  1. Já visitei uma, quando chove o barulho é ensurdecedor, ambiente impensável para aprender!

  2. [...] Urbanistas/SP wrote an interesting post today on Lata d’água na cabeça. Bem no meio da testa.Here’s a quick excerpt Mais Imagem – Wikipedia. Ou num bairro não tão longe de você…… [...]