Os natais reciclados de São Paulo

Conjunto Nacional Nota 10
Presepio.JPGO que você achou da cara da cidade no Natal? A prefeitura prometeu “o Natal mais iluminado da história” e os congestionamentos nos pontos mais decorados indicam que a galera gostou — ou, pelo menos, a parte da galera que não está simplesmente querendo transitar.

No ano do Nobel para o Al Gore, São Paulo ganhou ainda mais enfeites de material reciclado. É aquela coisa, né: Natal é, em grande medida, consumo. Consumo é produção de lixo. Decoração de Natal, em última instância, também é consumo (inclusive de energia, claro) e lixo (ou alguém consegue usar as mesmas lampadinhas made-in-qualquer-lugar-sem-assistência-técnica por mais de dois dezembros?).

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Seguindo a filosofia das ‘festas sustentáveis’, o Conjunto Nacional matou a pau. Cerca de 160 mil garrafas pet foram transformadas em 15 mil esferas que, juntas, formaram uma cobertura de neve derretida sobre o prédio. Simples e divertido. Dentro do edifício ainda tem um presépio que usa latinhas, papel de jornal e outras quinquilharias. Outra vez, resultado nota 10.

Menos inspirada foi a parceria do governo federal e da prefeitura que espalhou 30 árvores “sustentáveis” pela cidade. O problema, aqui, é o mau gosto. Em vez de enfeitar, a decoração parece, apenas, uma pirâmide de lixo. Não é que o lixo se transformou, como no prédio da Av. Paulista. O lixo permanece um amontoado de lixo, separado por tipos (garrafas de plástico, borracha de pneu, metal de latinha), disposto em placas triangulares. No topo, o símbolo do ciclo de flechas tentando fazer as vezes de estrela natalina. Não rolou. Que a idéia permaneça, mas que seja reciclada para o ano que vem.

As fotos são do Athos



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