Churro em roda mágico na Mooca depois da balada

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Este sampaísta empolgado vai falar de uma casa aberta em 1947 e não quer ouvir de ninguém que não é novidade (óbvio).

Pois lá fomos nós, com três franceses, para um programa meio de São Paulo turística — samba-rock no Copan. Nunca tinha ido (também estava de turista…), foi ok (valeu por entrar no prédio e pelas porções grátis de pipoca. Pipoca nunca é demais).

Lá pelas 4h, pausa para escolher o lugar pra matar a fome. Bateu uma preguiça quando alguém sugeriu a Mooca. Caramba, mas foi chegar e esquecer.

O Churros da Mooca é um cubículo de paredes amarela(da)s numa rua pacata. Pacata às 4h, né. Para dificultar, a casa (que abre às 2h) fica atrás de uma banca de jornal que esconde a fachada. Não tem cadeira, não tem mesa, não tem nada. Só um balcão pequeno que separa os clientes da área onde tudo acontece: a massa ganha forma numa ferramenta que fica entre o tacho de fritura e uma prateleira-despensa com máquina de café, litros de leite, copos americanos e quetais.
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O piloto da transformação da pasta em churro em roda é ‘seu’ Antonio, que repete sem parar a seqüência pegar a massa – modelar – fritar – servir no balcão (devidamente equipado com uma presilha). Só a parte da feitura da massa a gente não vê.

O resultado da alquimia é como a cara do lugar. Não tem cobertura, não tem recheio, não tem nada. Rola um guardanapo de papel (daqueles de pastel de feira, que imediatamente ficam transparentes e escorregadios) e um forro do mesmo material sobre o balcão. Tem um pratinho de alumínio com canela em pó e outro com açúcar para quem quiser polvilhar. Para acompanhar, o que mais sai é a tradicional média (que já vem MUITO doce). E só.

À descrição precisa do blog Mentes Ociosas: “a ditosa espiral de massa tem o tamanho aproximado de um volante de Kombi, é grossa como uma moeda de 1 real e tem óleo suficiente para bronzear toda a população de Osasco”. E como é boa… Quem preferir, pode pedir pra viagem, com embalagem de papel de jornal.

O público do lugar nas altas horas é esse, gente que sai da balada. Aqui e ali achamos relatos de filas de até 1h, mas naquela madrugada fomos prontamente atendidos. Muito bem atendidos, aliás.

Tudo contado, o Churros da Mooca é ideal para fechar a noite bem. Gostoso, barato e divertido. Sua mãe vai ficar orgulhosa de você ter se alimentado. E, com essa atmosfera surreal, do vovô-mágico na espelunca-escondida-aconchegante, somada ao porre de cerveja meio gelada de antes de chegar lá, você acorda no dia seguinte e… Aquilo aconteceu de verdade? Então tem o alívio das fotos no seu celular.

Serviço: Churros da Mooca – Rua Ana Néri, 282 // Sábados, domingos e feriados, das 2h às 11h30 // Sem telefone // Pagamento em cheque ou dinheiro.



One Response to “Churro em roda mágico na Mooca depois da balada”

  1. Gente o Churros da Mooca fechou em 2008, parece que o seu Toninho adoeceu. Fui la agora em 2010 e nao tinha nada, depois li uma noticia. Beijos