O povo contra Oscar Maroni. O povo?

Maroni.JPG A vida de Maroni começou a ficar complicada depois do acidente com o avião da TAM no Aeroporto de Congonhas, em 17 de julho. O Oscar’s Hotel, que ele construiu, está muito próximo da rota dos aviões. A Prefeitura viu irregularidades na obra e mandou fechar o estabelecimento. Maroni provocou o prefeito pessoalmente e protestou contra o fechamento.

O trecho é de reportagem do G1. Oscar Maroni Filho, processado diversas vezes, personagem falastrão da noite paulistana e figurinha fácil no programa da Luciana Gimenez, foi parar no Fantástico em 22 de julho — cinco dias após o acidente com o Airbus da TAM. No horário nobre da TV Globo, disse que seu prédio de 11 andares nos arredores de Congonhas teve construção autorizada.

À época, o foco da imprensa em relação às causas do acidente era a pista do aeroporto. Falou-se da lâmina d’água. Falou-se da falta de área de escape. Das casas próximas, dos postos de gasolina.

“Mas estes não são os únicos problemas de Congonhas”, sublinhava o repórter, informando que pilotos dizem que um obstáculo traz “um certo risco” para quem usa o aeroporto.

Entra a música de seriado de ação com as imagens picotadas do hotel de Maroni. (assista).

Aí vem ele, blazer preto, camisa branca desabotoada com correntona aparecendo, no melhor estilo “cafa”. Cheio de si, mostrando os documentos que aprovam a construção do prédio.

Na busca por versões e culpados, o prédio foi, lá em 22 de julho, a cereja no bolo da reportagem do Fantástico. Com direito a piloto de costas dizendo que se um “avião bastante pesado tiver uma falha de motor, vai passar muito próximo deste prédio, podendo até… Ter um acidente ali”. Instado pela TV, o subprefeito da Vila Mariana, Fábio Lepique (que virou “Flávio” na Globo), disse que “ao final de toda uma investigação que conclua que há ilicitudes, sim, podemos demolir o prédio”.

Só que um, aqui, quer mostrar trabalho; outro, ali, se mete no apontar de dedos; e Maroni provocou. Então vem o ponto lá da notícia do G1.

O prefeito, em pessoa, ordenou que o prédio fosse lacrado. Com megafone e cachorrinho, o espalhafatoso-man Maroni provocou mais. Enquanto a Prefeitura, enfezada, bloqueava a construção, o empresário, que se diz o Larry Flynt brasileiro, soltava o verbo em entrevistas. No último dia 3, sua boate Bahamas, casa que funciona há 27 anos em São Paulo, foi bloqueada.

E Maroni? “Olha o dinheiro público sendo gasto para promoção pessoal”, alardeou, em meio a pizzas. Ele, que defende a relação peculiar de seu estabelecimento com as garotas de programa, citou endereços que promoveriam a prostituição na cidade. “Essa é a única casa que o dono admitiu na televisão que tem prostituição”, disse Lepique, o subprefeito. A televisão, a televisão…

Denunciado pelo Ministério Público por formação de quadrilha, exploração de prostíbulo, favorecimento à prostituição e tráfico de mulheres, Maroni teve prisão decretada na noite de segunda-feira. Na tarde desta terça, a Justiça deu um chega-pra-lá em Kassab e determinou a liberação do Oscar’s Hotel.

Alguém aí ainda está acompanhando a história?

Então o “foragido” Maroni apareceu sem aparecer. Com direito a trilha sonora (Fera Ferida, que já foi tema de… TV), ele informou, via advogado, que foi convidado a ser candidato à Prefeitura em 2008. Disse ser a “vítima de número 200 da TAM“. O pai do empresário também surgiu — para dar o “ar família”.

Um monte de frases de efeito. Um monte bloco de concreto para as câmeras. Ações mais de olho em favorecer a pauta que a p*ta. Todo mundo lembra como essa pirotecnia começou? Ah, galera, um pouco mais de respeito.



2 Responses to “O povo contra Oscar Maroni. O povo?”

  1. Ah, que bravo!

    Eu tava acompanhando que nem novela (!!) e tava achando ótimo.

    O pai sente orgulho, o cara se acha o Larry Flint, ele deu um jeito de distribuir energéticos do patrocinador à imprensa, o prédio – coitadinho – foi construído com autorização, e ele não tem uma casa de prostituição… Só cobra R$ 250 de entrada DELES e R$ 30 DELAS. Mas não é participação nos lucros… Porque, aí, seria ilegal!

    Mas você me convenceu… Vou largar essa história e voltar a acompanhar o caso Madeleine. Beckham e JKRowling já fizeram suas participações… Quem sabe a loirinha aparece na ilha? É, aquela. ;o)

    Vanis

  2. Não quero defender esse cara não, mas:
    Só agora descobriram que ali tem prostituição?
    Só agora vão tomar uma atitude pra aumentar a segurança dos pousos?
    Eita hipocrisia do infernos!
    Quem é o mais culpado nessa história, não é quem deu autorização?
    Por um acaso é trabalho do cafetão se preocupar com a segurança dos pousos?
    Pois é, em países sérios como esse, o avião cai e quem vai preso é o dono do puteiro.