Sampaist Entrevista: INSTIGA

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A banda Instiga está na cidade para lançar seu segundo disco “Menino Canta Menina”, hoje no StudioSP. No batente há sete anos, e com um estilo musical ainda “em construção”, os garotos de Campinas definem seu som como uma mistureba que vai do rock caipira ao pop britânico. Claro, dá para ouvir ali muito de MPB, ingrediente obrigatório para as bandas nacionais de rock ultimamente.

As letras são irreverentes, mas não engraçadinhas. Saíram de papos animados e são cheias de piadas internas, às vezes até ingênuas. Essa despretensão ainda está lá na página do grupo no MySpace, que mostra fotos dos campineiros na piscina, brincando com uma tartaruga e tomando chá da tarde na sala.

cdinstiga.JPGO segundo CD mostra já na capa, uma mudança na imagem da banda. Lembra um disco folk e melancólico, com uma belíssima capa do designer gráfico Jaime Silveira, e não remete em nada à fase moleque ‘farra na piscina’ do disco anterior. Distribuído pelo selo paulistano Trombador Discos, e mixado e masterizado por Iuri Freiberger (que produziu os Walverdes, Violins e MQN), o álbum marca uma nova fase. Em entrevista ao Sampaist, a banda admite que mudou: os integrantes dizem ter aprendido novos acordes e “expandido o vocabulário”, e conseqüentemente, dizem estar sim mais experientes. Mas não menos moleques. Confira a entrevista abaixo.

Instiga é formado por Christian (voz e guitarra), Gabriel (baixo), Heitor (guitarra) e Pedro (bateria). O show de hoje terá abertura da ótima banda Bazar Pamplona.

O disco do Instiga está inteiro para audição no site da MTV! Se você se interessou pela banda, é só clicar aqui.

Para quem não conhece o Instiga, por quais músicas começar?

Pedro Leite – Comece por “Bastidores” e “Cure-se”. “Bastidores” resume em quatro minutos e pouco uma fase pela qual passamos (a do primeiro disco, Máquina Milenar): é neurótica, com barulhinhos esquisitos e muito divertida (tanto de ouvir quanto de tocar). “Cure-se”, por ser uma das melhores músicas do novo disco, mostra, ao ser comparada com Bastidores, as mudanças pelas quais passaram o som da banda. O objetivo é estabelecer uma diacronia, na verdade, com um pouco de análise contrastiva (“Bastidores” é boa por ser diferente de “Cure-se”, e vice-versa). Sabe como é, sou estruturalista de pai e mãe.

O que mudou do primeiro para o segundo CD? Houve uma mudança significativa na “cara da banda” de um cd para o outro… É uma questão de imagem ou só amadurecimento mesmo?

Mudou um integrante da banda. Não diria que ocorreu um amadurecimento, mas ficamos mais experientes, aprendemos acordes novos na guitarra e aumentamos nosso vocabulário, e acho que isso refletiu nas músicas que fizemos.

Comos vocês classificariam o som da banda? O que vocês têm ouvido ultimamente?

Classificaria nosso som como rock. Ultimamente, temos ouvido muito nossas respectivas mães pedindo para colocarmos agasalhos, por causa do frio. E nos intervalos das recepções de amor materno (que todos que têm mãe sabem, tomam boa parte do nosso dia), ouço Glenn Gould e Randy Newman – ou Shellac, se estiver numas de rock.

Vocês disponibilizaram todo o conteúdo do primeiro CD para download. Com o segundo vai ser assim também? O que isso trouxe de bom e de ruim para a banda?

Isso só trouxe coisas boas, como divulgação (tocamos na Woxy). Creio que essa estratégia no primeiro disco serviu para que todos que se interessem por música tenham pelo menos conhecimento da existência da banda, mesmo não tendo colocado a mão no bolso para tanto. E isso é um passo bem grande, apesar de não parecer. Mas não repetiremos a mesma estratégia com o Menino Canta Menina, pois também precisamos de algumas coisas ruins. Como dinheiro, por exemplo.


Sampaist é um site sobre a cidade de SP. Como vocês sabem que alguém é paulistano?

Sempre que vou à São Paulo (e tenho ido com maior freqüência do que antes) me sinto um pouco deslocado, caipira. Mas não acho que a distância seja tão grande, culturalmente falando, para poder perceber com alguma precisão uma idiossincrasia que me faça automaticamente diagnosticar alguém como paulistano. Se a pergunta fosse sobre como saber se alguem é do sul de Minas discorreria mais sobre o assunto. Ou não, pois um sul-mineiro automaticamente se identifica como tal a cada trinta segundos, contando as maravilhas de suas respectivas cidades.

Alguém de vocês mora em SP? Se sim, a cidade interefere na composição das letras?

Heitor – Eu e o Christian moramos aí agora. Não sei se o fato de estarmos em São Paulo influencia na música, é um pouco estranho falar sobre isso, porque a gente compõe e não fica pensando muito na origem das palavras e riffs que usamos. Nosso trabalho é compor, saber por que a gente fez uma coisa e não outra é trabalho de historiador, crítico ou psicólogo. De qualquer maneira, as músicas continuam com o “erre” um pouco puxado de Campinas.

Pedro – Acho que nem tanto a cidade, mas a situação de ser alguém de fora, interfere nas letras. O Heitor e o Christian provavelmente vivem São Paulo sob uma perspectiva diferente de alguém que sempre morou lá. Talvez eles sintam um maior deslumbramento, tenham mais vontade de explorar a cidade, sintam mais saudade de casa etc… Portanto, acho que interfere sim, mas não por ser especificamente a cidade de São Paulo.

Instiga indica…

Heitor – A padaria Flor da Sumaré, porque tem um bom custo-benefício e fica em um lugar de fácil acesso. Agora tiraram as máquinas de jogos de azar e está um pouco menos insuportável tomar uma breja lá. E a casa do Leon, na Av. Angélica, porque é cheia de quadros e pinturas legais. Além disso, o Leon é um cara legal. Você vai gostar dele com certeza, afinal de contas, todos gostam.

Gabriel – O Muggi, restaurante japonês da Liberdade, tem um yakisoba crocante muito bom. Tem também um udon legal por lá.

* Clique aqui para ouvir Instiga
* Clique aqui para ver o vídeo da música “Birra”

Lançamento do álbum Menino Canta Menina // Shows: Instiga (Campinas) e Bazar Pamplona (São Paulo) // Quando: 10 de julho de 2007 // Local: Studio SP – Rua Inácio Pereira da Rocha, 104 – Vila Madalena // Horário: a partir das 21h // Entrada: R$ 10 (com nome na lista para studiosp@studiosp.org) ou R$ 20 // Site: www.studiosp.org



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