“Austral” – A natureza desafiante da Patagônia

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A exposição “Austral”, com fotos e vídeo da artista plástica e fotógrafa Magdalena Correa, a ser aberta no Museu da Casa Brasileira no dia 2 de agosto, às 19h, traz a força marcante da paisagem, revelando os rastros da luta pela sobrevivência e para sair do isolamento que a desafiante presença da natureza provoca na região mais austral de Chile, a Patagônia.

São 12 fotos com back light, mais uma de 3 x 3 metros em preto e branco, e um vídeo sobre a Patagônia, produzidos ao longo de uma estada de um ano, de dezembro de 2004 a janeiro de 2005.

As imagens nos revelam uma geografia de bosques impenetráveis, lagos, montanhas e glaciares, atravessada em toda sua extensão pela tímida presença da Estrada Austral, onde subsiste uma comunidade humana em condições extremas.

“Durante o tempo em que vivi na região austral”, conta Magdalena Correa, nascida no Chile e residente em Barcelona, “registrei a tentativa desesperada de seus habitantes e de sua geografia de romper com o isolamento e a impossibilidade de comunicação entre eles e o resto do país”.

Realização do Museu da Casa Brasileira em conjunto com o Consulado Geral do Chile em São Paulo e o Instituto Cervantes, a mostra já esteve em Roma, Burgos, Madri e Barcelona.


“Num primeiro momento, podemos nos surpreender com a beleza áspera de suas imagens e a forte presença da natureza”, diz um dos textos de introdução ao livro “Austral”, editado pelo Instituto de Cultura de Barcelona (2006, 357 páginas), com fotos de Magdalena Correa, que pode ser adquirido pelo site www.cabdeburgos.es e contacta@cabdeburgos.com.

“Mas imediatamente percebemos pequenos contrapontos que nos remetem, sobretudo através de algumas solitárias casas e cabanas, a uma sobrevivência humana extremamente difícil mas não isenta de dignidade”.

Faz parte do livro uma entrevista de Magdalena Correa concedida a Menene Gras Balaguer, curadora da mostra em Barcelona. Ela conta como surgiu a idéia de seu projeto na Patagônia.

“Há alguns anos viajei a Coyhaique e conheci vagamente seus arredores. Sua gente e sua natureza monumental ficaram em minha memória como uma etapa que não estava finalizada. Apesar de ter viajado com minha câmera, nesse momento era apenas uma aluna do primeiro ano em Belas Artes e me orientava mais por meu instinto do que por um objetivo claro e preciso”.

A necessidade de viver na região austral do Chile foi aumentando cada vez mais, mas a expedição só foi realizada após outros projetos e muitos anos depois da visita a Coyhaique, uma das principais cidades da região.

Magdalena Correa diz que o objetivo era “a investigação muito mais do que apenas uma exploração visual. Queria que fosse uma denúncia, um testemunho e um chamamento diante de uma situação inaceitável: o isolamento, a precariedade e o esquecimento em que se encontram as milhares de pessoas que formam parte do território de Aysén. Queria que minhas fotos e meu vídeo se convertesse numa ferramenta de difusão e expansão cultural para um povo que está no esquecimento, cuja monumentalidade está em sua gente e nos caprichos da uma natureza incontrolável”.

A autora também fala sobre os motivos que a levaram a registrar sua expedição em fotos e em vídeo. “Ambos se identificam com o trabalho que quis realizar”, diz Magdalena Correa.

“São linguagens que perseguem os mesmos objetivos com diferentes metodologias. Ambas procuram reter o instante, o momento. A fotografia capta o sopro da vida, um instante preciso. O vídeo, ao contrário, capta a energia do movimento, a vida, a conjunção de milhares de ações. A fotografia capta a morte, o vídeo a vida”.

Exposição “Austral” // De 3 de agosto a 16 de setembro, de terça a domingo, das 10h às 18h // Museu da Casa Brasileira – Av. Faria Lima, 2705 – Tel. 11 3032-3727 // Ingresso: R$ 4,00 – Estudantes: R$ 2,00 – Domingo sempre gratuito



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