Gotan Project e a música feita com paixão

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Esse post é uma contribuição da jornalista Veridiana Marques, especialmente para o Sampaist. Se você quiser ver seu texto no site, mande um e-mail!

A banda Gotan Project surpreendeu a platéia do Via Funchal na noite de quarta-feira (20/06) com uma apresentação que beirou a perfeição. Desde a interação dos dez músicos liderados por Cristoph H. Muller (suíço), Phillipe Cohen Solal (francês) e Eduardo Makaroff (argentino) até aspectos técnicos que passam desde a iluminação – trazida pelo grupo – até as roupas utilizadas.

A banda, pioneira na mistura entre tango e eletrônico, abriu o show com a faixa 3 – Diferente, de seu último CD, Lunático. A partir daí, o que se viu foi uma seqüência de hits do último e do segundo CD (considerando o primeiro como sendo o single Vuelvo Al Sur/El Capitalismo Foraneo, lançado em 2000) La Revancha del Tango. A banda esteve completamente aberta ao improviso, destacando solos de violão e principalmente de violino.

Era visível a paixão dos músicos ao operar seus instrumentos. O entusiasmo era tanto que era possível ver as três violinistas dançando ao acompanhar o solo de um colega. A interação estava presente também em momentos como o da música Mi Confesión, em que as imagens de dois rappers do Koxmoz – em parceria com Gotan nesta faixa -, foram projetadas nos telões, enquanto parte da música era executada no palco.

Os músicos trajavam roupas brancas, que continuavam refletindo as imagens projetadas para o painel. A iluminação do palco também mereceu pontos no quesito interação. Os próprios músicos brincavam gesticulando nos momentos em que a luz iria aumentar. Ponto também para a casa.


Tanta interação levou a platéia ao delírio, mesmo que sentada. Mesmo em Celos e Amor Porteño, músicas consideradas mais calmas, ainda era possível ver algumas pessoas ignorando suas poltronas no mezanino central e arriscando alguns passos de uma dança qualquer. Já em Lunático, Mi Confesíon, Una Música Brutal e Santa Maria (Del Buen Ayre) foi praticamente impossível permanecer sentado. A vocalista Verônica Silva chegou a acenar para que as pessoas se levantassem.

Antes disso, já era possível questionar a razão de se promover um show de tango em uma casa para pessoas sentadas. Qual a razão, sendo que o próprio ritmo incita as pessoas a dançarem?

Já na terceira música do bis, um dos músicos pediu que a platéia se levantasse. Pelo jeito, o fato de a banda apresentar toda uma catarse musical para um público sentado também não agradou. Foi aí que a platéia foi – mais uma vez – ao delírio.

Falando em bis, foi nele em que a banda mostrou mais sinais de inovação. Com o sampler em Billie Jean (lembra de Michael Jackson?), o DJ emendou para a segunda música com o acompanhamento dos violinos. O show foi finalizado com Money, money, money, do Abba, na voz de Verônica Silva. A única música que fez falta no set foi a instrumental La Del Ruso, penúltima faixa de La Revancha Del Tango.

Será que a opção por organizar a platéia em cadeiras e mesas foi apenas uma forma de acomodar o público de forma mais confortável, ou foi para arrecadar mais, já que a venda de mesas é mais lucrativa? Embora a segunda opção seja mais óbvia, segue a dica para uma próxima ocasião: não se faz um show de tango para pessoas sentadas. Que haja pelo menos a opção de escolha.

Texto: Veridiana Marques | Imagem no Flickr Nekonoir.



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