Cão sem Dono tem pré-estréia em São Paulo

postercaosemdono.jpgAconteceu na noite de ontem, no Espaço Unibanco, a pré-estréia de Cão sem Dono, filme dirigido pelo paulistano Beto Brant (O Invasor, Crime Delicado) e por Renato Ciasca, baseado no livro de Daniel Galera, “Até o dia em que o cão morreu”.

Estavam presentes no evento os protagonista do longa Tainá Müller e Julio Andrade, além dos dois diretores, produtores, atores etc.

O Espaço Unibanco, um dos locais mais conceituados da cidade, além de “point” certeiro dos cinéfilos que freqüentam a Rua Augusta, reservou suas salas para a pré-estréia, mesmo sabendo que no dia 12 de junho, data agendada para a festa é, coincidentemente, comemorado o Dia dos Namorados.

O longa foi filmado em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, no inicio do ano passado e ganhou 3 prêmios no Cine PE, nas categorias de Melhor Filme, Melhor Atriz, para Tainá Müller e Prêmio da Crítica, além de ser destaque também no Festival de Cuiabá, na categoria Melhor Atriz, para Tainá Mülher novamente.

caosemdono3.jpgO filme aborda com bastante sutileza a relação de dois jovens de personalidades ora parecidas, ora diferentes. Enquanto Marcela, interpretada por Tainá, pensa em seguir adiante com sua carreira de modelo, viajando pelo mundo, Ciro, interpretado por Julio Andrade, vive enclasurado em seu mundinho, batendo sempre de frente contra a realidade injusta da vida.

Churras, o vira-lata que acompanha Ciro, embora seja um simples coadjuvante, é responsável por parte da delicadeza, encontrada facilmente nos diálogos, muitas vezes poéticos e bem sacados. Destaque também para a escolha da música em uma das cenas: Moonshiner, da intrigante Cat Power.

O clima é introspectivo e exige atenção do espectador, já que as conversas acontecem, muitas vezes, ao pé do ouvido. O silêncio, entre outras coisas, é sabiamente explorado pelos diretores.

O enredo é contemporâneo, mas pode ser facilmente comparado a um “conto
dostoyevskyano”. As cenas são escuras e a franqueza pesada com que a alma dos protagonistas é exposta chega a causar certa repulsa em quem acompanha a trama de fora.

caosemdono1.jpgA sensibilidade do filme é evidente em vários momentos. Elomar, o porteiro do prédio onde mora Ciro, vivido por Luiz Carlos Vasconcelos Coelho, é um daqueles personagens capazes de emocionar até os menos emotivos. Artista nato, ele reproduz com simplicidade, através de seu olhar surrealista, os sentimentos atormentados dos protagonistas.

Cão sem Dono, entre outras promessas, é um dos frutos do cinema nacional que deve vingar. Ele mistura sutilmente a poesia com a realidade e utiliza elementos da literatura beatnik para trazer à tona alguns sentimentos malditos, escondidos na maior parte do tempo pela “figura humana”. Aplausos para Churras e cia!



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