Invasão ou ocupação?

Hoje estivemos no meio de uma pequena polêmica na reitoria da USP. Fomos lá visitar a invasão (ou ocupação), tirar umas fotos, conversar com os invasores (ou ocupantes), ver como estava o clima no local.

Chegando lá, muito silêncio, muitos jornalistas e a maldita fumaça de uma fogueira que fizeram em frente ao prédio da reitoria. O clima parecia bem calmo, mas era possível ouvir comentários do tipo “será que a polícia vai aparecer” nas poucas rodinhas que se formavam no jardim do campus.

Na porta da reitoria foi armada uma “guarita” e só estudantes com carteirinha da USP podem passar. Quando estivemos por lá, cerca de 5 ou 6 pessoas faziam as vezes de leão de chácara para evitar que estranhos pudessem invadir a invasão (ou ocupar a ocupação).

Mas o motivo deste post, na verdade, é tentar esclarecer uma pequena “confusão semântica” causada enquanto visitávamos a reitoria invadida (ou ocupada) da USP.

Chegamos lá e nos dirigimos ao pessoal da Comissão de Comunicação. Eles explicaram que até os estudantes da PUC enviaram palavras de suporte ao movimento. Neste momento, para quebrar o gelo, solto a singela piada (e o diálogo segue):

- Pô, mas a galera da PUC é fã de uma invasão

- Não é invasão, é ocupação. – disse um dos caras da Comissão.

- Bom, depende do ponto de vista…

Foi o suficiente para eu perceber o clima um pouquinho mais tenso e descobrir que era hora de ir embora. Mas a pergunta fica para os leitores do Sampaist: foi invasão ou ocupação? Deixe sua opinião (democraticamente) nos comentários.

Para acompanhar os desdobramentos da ocupação, visite os dois blogs criados pelos estudantes aqui ou aqui.


After occupying the Sao Paulo University dean’s office for 15 days, a student protest movement intensified actions on Thursday saying that they will only leave after have their demands granted.

Students are currently staging a demonstration against a decision by Social Democrat Gov. Jose Serra to place the university institutions expenses under control of a Higher Education Office, created by his administration.

The local government reacted by accusing the students of organizing a “political movement,” and last Wednesday a judge ruled that police should clear the facility “with caution,” but that did not happen yet. The dean’s office is occupied by the students and the press (and bloggers, including Sampaist) can’t get in. Below are some pictures of the barricade.



One Response to “Invasão ou ocupação?”

  1. invadir. [Do lat. invadere.] V.t.d. 1. Entrar à força ou hostilmente em; ocupar à força; conquistar:(…). 2. Difundir-se em; alastrar-se por; espalhar-se: A água invadiu as ruas. 3. Dominar, tomar: “Foi aí que uma saudade absurda o invadiu(…)”(…) 4. Apoderar-se violentamente de; usurpar:(…).

    ocupar. [Do lat. occupare.] V.t.d. 1. Estar ou ficar na posse de; exercer; Ocupa cargo público. 2. P. ext. Invadir, conquistar: Em 1940 os alemães ocuparam parte da França; “O Q.G. revolucionário ocupou as estações de rádio” (…) 3. Tomar ou encher (algum lugar no espaço); cobrir todo o espaço de: “Passei a morar na Universidade, ocupando um espaçoso apartamento”(…); Os convidados ocuparam todas as salas. 4. Consumir o tempo ou a duração de; (…) 5. Ter ou possuir por direito, convenção, (…). 6. Fazer uso de; empregar; aproveitar (…). 7. Dar trabalho ou ocupação a; (…). 8. Ser objeto de; fixar; atrair: (…). 10. Aplicar a atenção ou os cuidados em alguma coisa; dedicar-se a; cuidar; (…).

    Depois de buscar no “Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa” (2a. edição, Ed. Nova Fronteira, 1986) o significado das duas palavras “invadir” e “ocupar” que vocês acham que é a mesma coisa, venho solicitar um esclarecimento: vocês consideraram o mesmo sentido por que pensam que houve uma “ocupação à força” (sentido número 1 de “invadir”) ou por que vocês consideram que houve uma “conquista” (sentido número 2 – que é dado por extensão P.ext. de “ocupar”) ou por que vocês acham que ninguém procura no dicionário para saber que “invasão” tem conotação violenta e “ocupação” não?
    Ou ainda, vocês tiveram a intenção deliberada de insinuar que tal manifestação foi violenta?