A CASA

theater.gifTínhamos apenas 20 minutos para chegar a Rua Major Diogo, ali na Bela Vista, Centro. A peça, cujo agendamento é imprescindível, começara às 18h, portanto qualquer atraso poderia comprometer o começo da noite de domingo.

Quem é “paulista da gema” sabe o quão complicado é andar pelo centro da cidade, portanto perguntar a direção correta da rua em um posto de gasolina também foi uma atitude bastante responsável tendo em vista o possível atraso.

Bem, o local escolhido para apresentação da peça, batizada de “A casa”, dirigida e escrita por Rudifran Pompeu, é um casarão quase centenário, onde hoje funciona a Escola Paulista de Restauro.

A estrutura foge um pouco ao teatro convencional – se é que teatro pode ser convencional -, ou seja, ao invés de ocupar um local em uma platéia, o expectador acompanha a saga do protagonista e dos coadjuvantes seguindo-os pelos cômodos da casa.

A ambientação é perfeita. Enquanto o elenco leva a platéia para uma viagem singular ao labirinto da memória, retratando com sensibilidade a vida do sertanejo, que vê no outro lado do rio a chance de mudar de vida, os outros sentidos se confundem com o cenário, com o cheiro, com a iluminação e com a atuação surpreendente de jovens atores.

Enquanto se descobre o que há por trás de cada porta, a emoção toma conta do ambiente que, por alguns segundos, parece trazer à tona todo o sofrimento do brasileiro que, embora seja dono de um coração amargurado, conseqüência da pobreza, ainda consegue ser singelo ao falar do mais universal dos sentimentos: o amor.

“A casa” é uma ótima experiência teatral mesmo àqueles que, como eu, não são tão íntimos assim dessa arte milenar. Para agendar o espetáculo, basta entrar em contato com a galera do Grupo Redmunho, por meio do telefone 11 3237-4898.

No final de cada apresentação é servido um cafezinho simpático, recheado de comidas típicas como o incomparável bolinho de chuva. Os famintos de arte que se preparem!



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