E na Prat-ica, vai rolar melhorar os ônibus?

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A Prefeitura anunciou, no começo da semana, o Prat (Programa de Redução de Acidentes em Transportes). A divulgação foi na terça. Às 8h da quarta, eu esperava um ônibus na Av. Washington Luiz.

E passa o carro da minha linha, sem parar. É “normal” o 5127 passar direto ali. O ônibus vem de pra lá da Estrada do Alvarenga, na zona sul. Chega com a galera pendurada pra fora — é assim que embarco quando algum motorista resolve que ainda dá pra espremer mais um.

Segundo dado da Prefeitura no anúncio do Prat, 75% da frota da cidade tem sensores de porta aberta. As velhas latas de sardinha do consórcio Cooperauhton, em operação lá no meu canto, não têm, não. Ficamos pendurados ao vento, meio aliviados de estarmos andando; meio irritados com o
desconforto; meio torcendo pelo bom senso dos movimentos de todo mundo que está em volta e junto.

Neste contexto, torcemos também pela forcinha do motorista — não rola acelerar muito. Pelo Prat, quem dirige ônibus precisará de certificado de qualificação (Mas como assim ainda não tem? Medo). O projeto também garante que todos os ônibus vão ter limitadores de velocidade (50 ou 60 km/h). Bom. Mas, como disse, muitas vezes simplesmente não rola acelerar muito, mesmo.

Passados alguns pontos, quando a gente segue o fluxo e é tragado pra dentro do carro, é o barulho do motor (como os condutores agüentam?), o calor, as janelas que emperram, a sujeira; o rabo de cavalo no seu nariz, o sovaco na sua orelha, a mina bunduda atrás querendo passar com as sacolas da C&A. E todos temos direito a rabo de cavalo, sovaco, bunda e sacolas — a porcaria do ônibus é o problema.

O Prat também prevê GPS nos 15 mil veículos da frota até o fim do ano — para monitorar os terminais e os corredores. Haverá mais controle de horário, por exemplo. Será formado um conselho consultivo “composto por dez especialistas que vão apreciar e se manifestar sobre o programa e apresentar propostas”. Legal, vamos lá. Mas paulistanos-enlatados só acreditamos quando virmos melhoria na Prat-ica.

Foto: divulgação Sardinhas Coqueiro



2 Responses to “E na Prat-ica, vai rolar melhorar os ônibus?”

  1. …e na avenida prof. alfonso bovero, na manhã desta quinta, um ônibus parado com pisca ligado. quebrou? não, o motorista passou por cima do pé de um entregador que descarregava um caminhão de refrigerantes em local impróprio! difícil dizer quem errou, mas estamos em apuros. ;)

  2. É claro que a melhoria do “repertório cultural médio” dos motoristas de ônibus ajudaria na diminuição das chaticesse do cotidiano motorizado nas ruas.

    Mas no que eu acredito e o que defendo é que deveria haver algum incentivo aos motoristas de automóveis particulares a deixar o seu carro em casa -pelo menos em 3 dias da semana- (ou pela semana toda) pra que haja espaço para ônibus.

    Quem sabe algum programa que envolva carona (rodízio entre os colegas do trabalho) seria uma boa… Na revista “vida simples” de abril encontra-se nas últimas páginas uma recomendação muito boa pra se deixar o carro em casa. Concordo em gênero, número e em grau.

    Considerando que em cada carro -segunda a CET- o número médio de ocupantes é de 1,2 pssoas por veículo e que cada ônibus leva quase 100 vezes mais pessoas do que um carro comum haveria espaço para o aumento da frota de ônibus e melhorar a qualidade do transporte público.