Sebastião Estiva: verdades, mitos e falácias

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Não é lenda! Conversamos pessoalmente com o misterioso trovador nacional Sebastião Estiva.

Para quem nunca ouviu falar, é preciso conhecer primeiro Sufjan Stevens, a versão americana do Estiva. Ou seria o contrário? Sufjan Stevens é um bom moço de Michigan que um dia resolveu homenagear cada estado do seu país. Logo conseguiu espaço em sites e blogs de música e ficou famoso nesse mundo alternativo-virtual. Não só pelo projeto ambicioso, mas porque as músicas eram boas de verdade. Até agora, ele só conseguiu finalizar os álbuns para os estados de Michigan e Illinois. Isso definido, fica mais fácil entender Sebastião Estiva.

Outra nota importante. Para os que ainda questionam se o cara existe ou não, se é um ou se são vários, e por aí vai, nada melhor que a frase clássica dita por Tony Wilson no filme “A festa nunca termina”: “Entre a verdade e o mito, fique com o mito”. Escolha feita.

O projeto do brasileiro, idealizado via internet, não tinha tantas ambições. Um CD homenageando Tocantins (“Cum om, feel the Tocantinoise”) foi colocado no site da Trama Virtual e daí em diante, a história cresceu. Muitos boatos, especulações, expectativa, até que chega o dia do primeiro show real em São Paulo e… bem, foi quase um fiasco. Muito barulho, confusão, uma dezena de integrantes espremidos e perdidos em uma pista lotada de curiosos, e nenhuma letra exatamente “captada” pela platéia. Um caos. Integrantes demitidos, novas músicas e alguns ensaios depois, ele está de volta.

Além de Tocatins, Estiva e banda já homenagearam o Acre (“MassACRE), o Amazonas (“Ama Zonas”), e o Paraná (“Antropologia! Uma análise comportamental do jovem moderno em uma metrópole”). Estivemos na gravação de um pocket-show acústico da banda na última sexta-feira, antecipando o show que viria à noite.

Preparem-se: enquanto seu “álbum aquático” não sai, ele jura ter na gaveta umas 30 músicas (humm) prontas para São Paulo!

Leia o papo com o tímido andarilho nacional.

estivasssssss.jpgWho the f*ck is Sebastião Estiva?

(silêncio. aponta para si mesmo)

Seguindo o ritmo dos últimos cds lançados, Sufjan Stevens terá 127 anos até completar seu tributo aos 50 estados americanos. Em menos de um ano Estiva já homenageou 4 estados. O que você teria a ensinar ao americano?

Não gosto de falar muito sobre o Stevens por que acho que não tem muito a ver com o meu trabalho, nem ao menos gosto das músicas dele, acho um trabalho muito desleixado, mas simplesmente por que não faz o meu gosto, não posso sair falando mal desse artista. O que eu posso dizer é que, se ele não leva a sério a proposta de fazer 50 discos, é melhor parar logo.

Falta muito para São Paulo virar CD?

Na verdade, não. Já tenho mais ou menos umas 30 músicas e mais umas 20 idéias de músicas para o disco de São Paulo, um estado muito rico em histórias e causos, mas o difícil vai ser peneirar as composições para serem gravadas, não quero fazer um disco triplo. Não agora.

Cite quatro pessoas que não podem faltar em uma homenagem a Sampa.

Com certeza: Maluf, Serginho Moreira, Marcos Pontes (o astronauta que virou apresentador de programa infantil) e Bordon, ex-jogador do São Paulo.

Como seria a capa perfeita para o “nosso” cd?

Uma foto da Regina Duarte. Ou talvez uma foto do Wal-Mart retrataria melhor o paulistano… Só saberei o que vai ser da capa na hora que finalizar o disco.

Se você pudesse chamar algum paulistano para subir ao palco com você, quem chamaria e porque.

Talvez eu devesse chamar o Supla, já que me inspirei em seus discos para compor a faixa “Ana do Rio Branco”, presente no disco massACRE. Seria uma apresentação memorável.

A entrevista continua abaixo, como uma foto exclusiva do Estiva para o Sampaist, durante gravação do acústico.


estiva1a.JPGComo é feita a escolha dos estados?

Tenho um grande mapa do Brasil no chao de minha sala. Viro de costas para ele, e jogo uma moeda para trás. O estado em que a moeda cair em cima é o estado contemplado. Simples e eficiente.

Como foi o primeiro não-show de vocês por aqui? O que mudou de lá pra cá?

Para o que estava previsto, eu diria que foi um sucesso. Toda aquela badalação e expectativa em cima do nome ‘Sebastião Estiva’ foi desmistificada com um show difícil, que poucas pessoas que estavam presentes entenderam. A grande maioria das pessoas que estava lá não foi para ampliar seus horizontes musicais, e sim para solucionar o tal mistério ‘quem é Sebastião Estiva?’. Pro inferno com isso! Esse foi um dos motivos pelos quais não participei do meu próprio show. Mas agora tudo mudou: consegui um certo distanciamento seguro desse tipo de coisa e montei uma banda menos experimental, os Anões da Resistência. Mas só saberei no que vai dar isso tudo durante o show, somos imprevisíveis.

Essa vai ser a primeira turnê oficial da banda. Quais são os planos para 2007? Muitos shows em vista?

Eu prefiro não planejar muitas coisas, para não atropelar boas idéias, mas já tenho dois discos gravados e prontinhos para lançamento, além de ter mais dois ou três na manga até o fim do ano. Quanto a shows, acabei recebendo várias propostas em pouco tempo para tocar em lugares tão distintos quanto Recife, Maceió, Goiânia e Manaus, mas não quero me expor tanto, não sou pessoa pública e pretendo aparecer em público somente quando necessário ou quando estou de muito bom humor.

Quais as vantagens e desvantagens de se ter uma banda interestadual?

As vantagens são muitas, mas a maior é cada um trazer influências regionais que, mesmo eu passando um bom tempo nesses lugares, não consegui adquirir, pois está no sangue deles, no estômago, desde o momento em que nasceram. A química no palco é muito grande, o clima romântico rola solto. Uma desvantagem é justamente a dificuldade para ensaios e shows, mas na verdade é uma bela desculpa para eu recusar shows quando sinto que não vale a pena.

Você(s) têm outras bandas e/ou outros projetos?

Eu não tenho nenhum projeto paralelo, toda a minha arte é voltada para as minhas músicas e minhas pinturas, mas alguns dos integrantes da minha banda tem os seus próprios conjuntos, alguns até bastante conhecidos, outros bastante obscuros.

Quais bandas nacionais você tem ouvido ultimamente?

Olha, uma banda que nunca sai do meu walkman é o Cabelo Veludo, do Rio de Janeiro. Essa banda me inspirou a gravar um disco em estúdio, com músicos e com uma bateria de verdade. É impressionante o carisma do cantor e compositor do grupo.
Alem disso, tenho sempre por perto a discografia da Familia Lima.

Você fez um disco infantil “interativo”. Há outros projetos paralelos a caminho?

Idéias não faltam, mas o projeto paralelo mais bem encaminhado até agora é um sobre 11 jogadores de futebol, meus ídolos de infância e adolescência, quando os reis da televisão eram Léo Batista e Sílvio Luís. Outro que pode ver a luz do dia mais cedo do que se imagina é um projeto ambicioso de música aquática. Explico. Descobri um método de fazer gravações aquáticas com muita qualidade, já compus algumas músicas de baixo da água e fiz alguns testes, ficou muito bom. Agora só preciso compor algumas, decidir se gravarei com banda ou solo e finalmente passar tudo para a fita.

Você sabe que alguém é paulistano quando…

Quando eles falam mal do Cansei de Ser Sexy mas todos se vestem iguaizinhos a elas.

Finalmente… Você pretende participar do show?

Sim, mas dessa vez eu tenho um por que. Acho válido participar desse show, é o primeiro da América Latina validado pelo Greenpeace. Faremos um Show Amigo Verde, a natureza não será poluída e todos podem dançar a vontade.

ps: a entrevista foi feita antes do show e sim, ele compareceu.

* Ouça a música “Tenente Rodrigues” aqui.

Fotos de divulgação. Foto do acústico por Sampaist.



8 Responses to “Sebastião Estiva: verdades, mitos e falácias”

  1. Hahahahahahahaha!
    Esse Sebastião Estiva é realmente uma figura ímpar

  2. Muito delícia essa entrevista, o show foi ótimo também!

  3. =)
    são figuras. o set acústico surpreendeu.

  4. O show dele no rio foi espetacular! Som muito bom, uma variedade muito unica no repertorio e que presenca de palco! A sua musica me traz paz e tranquilidade ao mesmo tempo vontade de pular! Me fez lembrar de otimas memorias e viagens pelo cantos do pais. Mas do que td um som ducaralho! Muito phoda! Valeu Estiva!

  5. Gostei do show, me surpreendeu bastante. Tinha ido ao show do Milo e esperava aquela zona novamente, mas o que eu vi foi um ótimo show de rock e igualmente divertido…
    E o próximo como será?!?!
    E que gravação de pocket-show acústico é essa?

  6. Kadu: o acústico foi para o programa de rádio do Lucio Ribeiro com Fabio Massari, Poploaded. Ainda não foi ao ar, vamos falar sobre isso aqui logo.

  7. ana, eu te amo!

  8. bem, a entrevista ficou demais. mas prefiro ouvir o tal do acustico e depois opinar. já passou?