Vai-Vai ter pra mais alguém este ano?

Quatro momentos da criativa e esperta Vai-Vai 2007

Tá certo, cabeça de jurado é aquela coisa, mas salta aos olhos o favoritismo da escola do Bixiga este ano. O motivo é óbvio (como anda difícil, o óbvio): aliou uma apresentação tecnicamente competente a um samba bom, luxo (aparente, vejam bem) e criatividade. Na verdade, CRIATIVIDADE, na comparação com o marasmo dos outros desfiles paulistanos em 2007.

Defendendo tema ecologicamente correto, a reciclagem, o experiente carnavalesco carioca (pois é…) Chico Spinosa fez fantasias e alegorias cujo material-base vinha principalmente de garrafas Pet. Mas não é que tudo parecia de plástico — o cara manda bem e, quando não era intencional, ninguém podia dizer de onde vinham as fibras usadas. Quando queria, escancarava: as saias das baianas eram feitas de sacos de lixo (deixa o Herchcovitch ficar sabendo).

Porém, como sabemos, não é só feitiçaria; é tecnologia. E os carrões da Vai-Vai estavam envenenados com efeitos especiais (torre de petróleo soltando fogo, chuva de papel picado, luzes, movimento). Quem olhou o abre-alas e viu a Ana Maria Braga no centro pode ter sentido falta da (outra) coroa da escola, mas ela vinha logo atrás, virtual, num telão que mostrou momentos de outros carnavais.

À frente da bateria, Scheila Carvalho. Mas aí a competição está bem mais acirrada — passaram pelo Anhembi com, digamos, grande desenvoltura Sheila Melo (Casa Verde), Adriana Bombom (atrasada, presa por um fã, na Tom Maior), Viviane Araújo (de Satanás[!], na Mancha Verde), Ellen Roche (loirinha no chão, na Rosas de Ouro) e Nani Moreira (imbatível, na Mocidade Alegre). A última leva vantagem na disputa não-oficial das rainhas, já que é um mulherão que toca tamborim, samba no pé, efetivamente comanda (além de hipnotizar) os ritmistas e é a cara (a cara? Tá, a cara…) do carnaval de Sampa.

Então, ficamos assim: é Vai-Vai e ninguém tasca. Mas, para cobrir outras possibilidades, vamos a breves comentários (mais detalhes aqui) sobre algumas das outras agremiações que podem levar.

Casa Verde – A Império torrou uma grana de novo. Carros alegóricos enormes de novo. Tigres gigantes de pelúcia de novo. Trabalho legal das equipes de Parintins de novo. Já vimos este desfile outras vezes, mas é bom lembrar que a escola é atual bicampeã.

Vila Maria – Cubatão ficou bonita, animada e criativa na avenida. Mereceria um segundo lugar com todo mérito e pode surpreender.

Rosas de Ouro – Tudo caprichado, mais uma vez. Comissão de frente excepcional reproduziu tela da série Retirantes, de Portinari, em momento sublime. Pena, mas novamente não deve ser este ano que os bons momentos tiram a escola da fila.

Águia de Ouro – A bateria empolgou geral e o samba pegou. As alegorias foram mais ou menos (rolou uma constrangedora, posto que modesta demais, tentativa de imitar Paulo Barros, ex-Unidos da Tijuca). Ah, também teve comissão de frente de bailarinas clássicas. Eita mesmice!

Mocidade Alegre – O tema do riso encheu o Anhembi de… palhaços, ué. Foi bonito e correto, mas só.

Mancha Verde – Menção honrosa para a escola que não concorre ao título, já que é esportiva. O desfile teve problemas técnicos, mas foi delirante a apresentação do apocalipse — o que esse carnavalesco anda tomando? Bom, tomara que o médico mande continuar.

Terça-feira às 9h30 tem apuração do Grupo Especial, quando será conhecida a campeã deste ano (é neste dia, também, que saberemos se a popular Gaviões da Fiel sobe).

Fotos: site oficial



One Response to “Vai-Vai ter pra mais alguém este ano?”

  1. adorei ter link no sampaist – o oficina de estilo tá mais chique agora! e o post daqui vai gerar um outro lá! thanx!