Trash 80′s Vila Olímpia: a década perdida se perdeu?

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Será que erramos o timing?

Chegamos à nova Trash 80′s da Vila Olímpia, aberta no último dia 20, uma semana após a inauguração e logo depois de um casamento. Era quase 1h e, como é praxe no bairro, lá estava a indefectível “fila de balada”. Na cabeça, algumas cervejas e… música de casamento, ué.

Éramos três e um de nós não tinha nome na lista. Sem crise: ganhamos um desconto camarada da simpática moça da entrada. “A semana inteira/Fiquei esperando/Pra te ver sorrindo/Pra te ver cantando”… Eita, fora, síndico! Mas o Tim Maia não estava mais só na nossa cabeça: era o som lá de dentro.

A nova Trash tem três ambientes: no primeiro, um lounge com puffs e um bar. No segundo, pista, palco, dj, telão. É onde fica a galera. No terceiro, lá no fundo, há uma pista menor, com seu próprio dj; um ambiente claustrofóbico de paredes escuras.

No sábado, com a balada bombando, chegamos ao primeiro ambiente e já estávamos com calor. Desce cerveja. Desce “Flying Ice” (era o que tinha e é um bom similar. Intragável é a versão de cereja — sabe gosto de drops Dulcora? — que vinha grátis em esquema double). dulcora.JPG
Nada disso desceu muito bem… A cerveja estava apenas fria e as bebidas ice, mornas — vinham acompanhadas de um copo com gelo imediatamente oferecido pelo barman (ponto alto da casa: da fila à saída, atendimento com sorriso e eficiência).

Quentinhas em punho, vamos para a pista.


Hot stuff baby this evenin’… Galera molhada. Carinha com camisa aberta, mina com top de biquíni e fiozinho de suor escorrendo até o piercing do umbigo. O ar-condicionado podia ser adequado para dar conta.

No palco, um pessoalzinho sem-graça dançando com empolgação decorada — nada que se compare à espontaneidade maluca e divertida da matriz, no centro. A reprodução da abertura do Fantástico foi, como sempre, impagável e sensacional. Mas a das paquitas… A performance da dupla Dolly & Dolly foi engraçada, mais no espírito original, mas até na hora em que o público é chamado pra brincar há a inevitável constatação à Gonçalves Dias (que é de 1823): os trashers que aqui trasheiam não trasheiam como lá. O telão, uma das maiores diversões da balada, funcionou pouco. Valeram muito os breves momentos com as aberturas de Get Along Gang e Duck Tales.

Aí teve Sandra Rosa Madalena, Amigos do Peito, Ilariê, YMCA… Opa, bebi demais ou vão jogar o buquê de novo?

O que nos leva a outro ponto. A Trash se espalhou da Álvaro de Carvalho para vários clubes pela cidade, foi parar em filial no ABC, na esnobe Vila Olímpia. Caiu no som das formaturas, das baladas meia-idade-paquera-com-clube-do-whisky, dos casamentos. A bolha de sabão pop dos anos 80 (vamos combinar, aí também estão o lado brega dos 70 e do começo dos 90) se expandiu tanto que… rolou um ploc monster? Só insisto na pergunta da Fernanda Fontes.

Naquele sábado, o tempo não voltou nem parou e os anos 80 pareceram simplesmente anacrônicos que obviamente são. A noite terminou com gosto de drops Dulcora — que, convenhamos, era ruim pra caramba.

Serviço: Trash 80′s no espaço Hype – Rua Quatá, 1011, Vila Olímpia/Quanto: R$ 30. Com reserva ou flyer, R$ 20. Com lista de aniversário ou com carteirinha de desconto ISIC/STB, R$15. Camarote, R$ 50/Quando: sábados, a partir de 22h30/Tel:(11) 3262-4881

Foto 1: reprodução de vídeo do YouTube com Isadora Ribeiro em momento inesquecível “u-u-á, u-u-á”. Foto 2: Dulcora, do Memorychips



One Response to “Trash 80′s Vila Olímpia: a década perdida se perdeu?”

  1. Essa bala não é da minha época… mas só pela embalagem.. deve ser horrível!!!

    ps: athos é um gato!