Sampaist ao vivo: Eight Legs @ StudioSP

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Esse post é uma contribuição do jornalista e fotógrafo Ulisses Barbosa especialmente para o Sampaist. Texto, fotos e entrevista por Ulisses.

Honestos para dizer que são desonestos

A banda inglesa Eight Legs veio à cidade se apresentar no São Paulo Fashion Week e agraciaram o StudioSP com uma apresentação extra na festa de lançamento de um programa de rádio de Internet.

O hype musical-fashion londrino é composto por Sam Jolly, vocalista e guitarrista; Jack Garside, baterista; Adam Neil, baixista; e Jack Wharton, guitarrista. Todos com menos de 20 anos. O garotos se conheceram no colegial, não muito tempo atrás, e segundo eles próprios sempre foram muito criativos, sempre envolvidos com skate e bike, e a musica foi apenas um processo natural. A apresentação no SPFW não foi algo novo para o Eight Legs, os garotos já haviam se apresentado no desfile masculino da Dior em Paris.

8legsampaist1.JPGEm entrevista, Sam falou ao Sampaist um pouco sobre a banda.

Como esta história de se apresentarem em desfiles começou? É verdade que foi um modelo que mostrou o som de vocês para alguém na Dior?

Sim, sim, foi verdade. Um amigo nosso que é modelo apresentou algumas de nossas músicas em seu IPod para o estilista chefe na Dior, ele gostou do som e nos convidou para tocar em Paris, e um cara, não me lembro exatamente o nome dele nos viu tocando em Londres e nos apresentou para o pessoal aqui de São Paulo, assim acabou rolando a oportunidade de tocar no Brasil.

E o que vocês estão achando de São Paulo?

Cara, é tudo muito louco por aqui, temos nos divertido muito, é um grande lugar!

E os EUA? O mercado americano é um alvo pra vocês? Vocês já o alcançaram?

Bem, nós pretendemos tocar os EUA, claro, é parte do negócio, mas eles têm um gosto musical tão ruim, que não sei se isso acontecerá. Claro há as grandes e boas cenas musicais como em Nova York, Los Angeles, San Francisco e Chicago, mas em geral o americano tem o gosto musical muito ruim.

E o gosto musical de vocês? O que vocês ouvem em casa? Que tipo de música você ouve antes de dizer: “Cara, eu quero que meu som seja assim?”

Smiths, Cure, Bowie, Iggy Pop, Velvet Underground, e um pouco de coisas novas também como Rakes e Strokes, mas misturamos tudo isso porque queremos que nosso som seja algo único, diferente.

A entrevista continua no link abaixo. Leia também tudo o que aconteceu no show de quinta-feira passada.


E sobre as letras? Tudo isso que vocês sentem e expressam…

Nem sempre.

Como assim?

Nem tudo que está nas nossas letras é sincero, nem tudo são coisas que realmente sentimos, algumas sim, são bem pessoais, mas a maioria não. E agora eu estou sendo bem honesto.

E você acredita que o conteúdo de suas letras mudará caso vocês tenham sucesso?

Eu espero que sim, espero que nossa música cresça conosco, nós mudamos, a música muda junto.

** A entrevista foi concedida de dentro do camarim, poucos minutos antes do início do show, muitas garotas e muita bebida eram visíveis por lá. Fazendo pose para as fotos, os meninos pareciam exatamente o que são: garotos elevados a rockstars. Longe da câmera e conversando, parecem apenas garotos como estes que vemos às centenas em qualquer club de indie rock espalhados pelo mundo, tímidos, tentando se encaixar na sociedade de alguma maneira.

No show eles mostram vigor, energia e uma pegada que tem faltado a muitas das bandas do chamado novo rock. Garside martela a bateria como se as baquetas tocassem o próprio couro de sua pele, com sentimento. Adam tocava seu baixo de cabeça baixa, meio shoegaze, meio com vergonha, meio tímido, mas deixando a cozinha em dia. Impecável.

Wharton era um show à parte, presença de palco de um rockstar experiente, o guitarrista brincava com a platéia, oferecia bebida, e tocava seu instrumento como se fosse apenas mais um braço de seu corpo, com naturalidade ele ajoelhava-se em frente à caixa de som, reverenciando o rock em seu estado cru. Sam assustava. Segurava o microfone como Ian Curtis, tinha o olhar perdido ao longe da mesma maneira que o suicida líder do Joy Division tinha. A voz potente de Sam lembrava de longe a de Curtis, já sua guitarra soava mais americana do que pudesse querer. Aquele college rock do interior americano.

Os garotos seguraram a bronca do show até o fim, mas a platéia meio amena não fez jus a energia dos garotos. Um grande show, uma grande banda.

Texto, fotos e entrevista por Ulisses Barbosa, fotógrafo e jornalista. Ulisses é leitor e colaborador! Se você quiser ver um texto seu no Sampaist, entre em contato!



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