Depoimentos Sampaist: Eu sou Sampa!

PAULO.jpg

Para homenagear o aniversário da cidade, cada colaborador resolveu fazer um post dando um depoimento sobre a cidade de São Paulo. Confira!

“Está na cara que você é paulista!”, me disse uma vez um velho colunista carioca. Com a declaração um olhar crítico me percorreu de cima a baixo, mas não me ofendi! Não é de hoje que São Paulo é famosa pela “deselegância discreta de suas meninas”.

Tudo em mim reafirma essa opinião, ainda que sem querer. Sou mulher nascida e formada por este caos, uma contradição ambulante em busca de uma perfeição estranha, esquisita…paulistana, ué!?

Foto do Flickr klausinho


A memória mais antiga que preservo, sabe-se lá como, aconteceu no mercado de flores da Praça Roosevelt. Caminhávamos de mãos dadas, minha mãe e eu, que devia ter uns três anos! Não morávamos muito perto, mas sei que gostava da praça, do espaço, das pessoas.

Ainda criança passeava no Parque Trianon todas as tardes, antes do lugar virar “antro de prostituição e drogas”, como diz a minha avó. Aí mudei para a Pompéia e não sentia falta do parque porque quem mora em casa de vila não precisa disso, só de bons vizinhos (e isso eu tinha!).

Vi meu primeiro filme no Gazetinha. E.T. acompanhada de uma prima e da avó. Não chorei…preferia os teatros de fantoches apresentados nas feirinhas de artesanato do bairro.

O primeiro jogo de futebol foi no Pacaembu, onde renasci corinthiana, maloqueira e sofredora…graças a deus! Tudo para desagradar a família de são-paulinos.

Lembro do comício do Lula na , em algum momento de 1989, com os tios petistas, das passeatas contra o Collor, do primeiro carnaval na passarela do Anhembi e da primeira balada, aos 12, na matinê da Hipodromo, na Rua Turiassú.

O primeiro show foi Metallica, no Parque Antártica em 1º de Maio de 1993. Tive que lavar o carro do tio para “pagar” pelo ingresso, minha mãe foi junto e foi a primeira vez que vi alguém fumar maconha. Valeu cada minuto!

Os porres na Vila Madalena…bom, não lembro o suficiente para contar a história. Mas sei que foram muitos e que até hoje não posso pisar na Padaria da Vila. Essa história um dia eu conto…

O primeiro acidente de carro foi na rua Piauí, saindo da aula de fotografia da Escola Panamericana, então na rua Conselheiro Brotero. Meu Fiat Uno “bala” contra uma Kombi. O segundo, refém da amiga Patrícia, na avenida Doutor Arnaldo esquina com a Cardeal Arcoverde em noite de chuva a caminho da Klatu. O Fiat Palio dela na traseira de sabe-se lá o quê.

Tantas histórias, uma vida toda! Os botecos, as caminhadas de madrugada pela Avenida Paulista, a Benedito Calixto. As Copas do Mundo nos telões, as semanas de moda e Bienais no Ibirapuera, as mostras de cinema que eu nunca acompanhei por “falta de tempo”. Nenhum paulistano tem tempo!

Penso nos inúmeros amigos que a cidade jogou na minha vida. Naqueles estranhos que se conhece num bar, nos colegas de classe, nos inimigos íntimos. Queria ter mais desse precioso tempo que a vida em Sampa me rouba para…gastar por aqui mesmo!

Sinto todas as vezes que me enjôo do seu lugar comum, do seu trânsito, da sua gente! Mas quando a deixo me bate uma saudade imensa do x-salada do Burdog, do árabe da Vila Mariana, do Bar Brahma, do pernil do Estadão…da chuva repentina.

Não sei onde termina em mim a influência de São Paulo e nem gosto de imaginar quem eu seria se não tivesse me constituído por aqui. Mas tenho certeza absoluta que São Paulo é isso: mais de 10 milhões de histórias individuais entrelaçadas e modificadas por essa cidade incrível!

Cada um de nós é Sampa…e Sampa é FODA!



2 Responses to “Depoimentos Sampaist: Eu sou Sampa!”

  1. sampa é foda! :)

  2. Would you recognize your asshole from a hole in the floor?