México, Miami e uma trilogia de Marias

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Adoramos programas inusitados. São eles que fazem a cidade ficar cada vez mais interessante, além de renderem posts curiosos.

Da visita à Corte do Carnaval 2007 ao Projac do “Seu Sílvio”, podemos dizer que o Sampaist teve uma semana bem… movimentada.

Passamos um dia no SBT ao lado de quadros da Simony, da Bruxa do 71, de fotos do Gugu quando criança, da Hebe bem mocinha, etc. Visitamos os estúdios, tiramos fotos bizarras e finalmente chegamos à “cidade cenográfica”. Nosso objetivo era acompanhar o trabalho dos cenógrafos na construção de uma réplica de São Paulo! Mais precisamente, do bairro do Bixiga.

A próxima novela da casa, “Maria Mercedes”, faz parte da famosa “trilogia das Marias”, aquelas novelas mexicanas que tinham a cantora/modelo/atriz Thalia no papel principal. A nossa Thalia será a atriz Bárbara Paz. E a cidade do México, bem… logo ali.

É um trabalho cansativo, onde cada detalhe faz diferença. Réplicas de ruas famosas com postes decorados com lambe-lambe, grafites nos muros, faixas de pedestre, e mansões estilo Leblon de Manoel Carlos ao lado de um cortiço bem decadente.

sbt18.JPG Entrevistamos um dos diretores de arte do SBT, Edson Maciel, para entender como é o processo de “mexicanização” do bairro mais italiano de São Paulo.

No final da entrevista, slide com as fotos do dia!

A novela se passa em quais bairros da cidade?

Como você sabe, esta é uma novela pop(ular)… núcleo pobre x núcleo rico, com triunfo do bem sobre o mal, basicamente. O núcleo pobre tem como referência o bairro do “Bixiga” atual, já o núcleo rico tem uma inspiração neoclássica Miami, que pode facilmente ser encontrada em condomínios como Tamboré e Alphaville.

Que tipo de laboratório foi feito para recriar esses bairros?

No Bixiga foi pesquisa “in loco”, registro e reprodução de arquitetura e paleta de cores, sem a obrigação de ser literal, apropriando-se da grande mistura de estilos edificados em São Paulo. Para o núcleo “sem problemas financeiros”, a equipe foi buscar referências em livros e revistas de arquitetura e decoração, ostentação e riqueza.

Em que ano se passa a trama?

Em 2007… tem até roubo de Ipod no primeiro capítulo!!

Quais os principais pontos de cada bairro que vocês pretendem ressaltar?

Na cidade cenográfica, estamos a todo o vapor preparando um cortiço, uma padaria, um boteco, um açougue, uma academia de boxe, um mercado, ruas, residências, comércios, prédios, “um pedaço” do Bixiga… Em estúdio teremos interiores de mansões e do cortiço, além de locações e stock shots(imagens) de São Paulo.

Qual a parte mais difícil de uma São Paulo cenográfica?


Por não se tratar de uma reprodução literal, o desafio foi traduzir a “alma” da cidade, composta por uma mistura irregular de estilos.

Um detalhe interessante da cidade feita por vocês são os postes com lambe-lambe e os muros grafitados. Como foi essa pesquisa de campo?

Na verdade, é muito fácil para um paulistano atento reproduzir São Paulo… e muito mais gostoso pesquisar, pois tudo vira laboratório.

Como retratar um cortiço paulistano?

Não será a primeira nem a última vez a se mostrar um cortiço, o desafio é fazer interessante mais uma vez.

E a burguesia da cidade?

MexiMiami total!!

A trama é originalmente mexicana. Quem adaptou o roteiro?

A novela é de Yves Dumont, baseada no original de Inês Rodena.

Foram feitas muitas adaptações na cenografia?

Sim. Todos os níveis, de reforma `a construção.

Fotos de Ana Monteiro e Edson Maciel



2 Responses to “México, Miami e uma trilogia de Marias”

  1. MexiMiami ahaha muito legal, Bean!

  2. =)
    eu adoro a “inspiração neoclássica Miami” do núcleo sem problemas financeiros. Novo-rico é cafona até na ficção!!!!!