Especial Festa do Sampaist: Toca Clash, Carlos Freitas!

cfreitas.jpg Esse aí da lado é o Carlos Freitas, nosso convidado para pilotar as pickups da festa do SAMPAIST, junto com Marcelo Costa e Tatá Aeroplano. Promete que na pista vai rolar The Clash e “o mundo impop de mashups”.

De Recife veio parar em Sampa. No currículo, a banda Mundo Livre s/a, uma loja de discos, paixão por música e torcedor do Náutico. Está por descobrir mais sobre São Paulo. E, apesar de dizer que não sabe a que veio, o Sampaist sabe e mostra nesta conversa.

1 – Quem é a Carlos Freitas? De onde veio e a que veio?
A primeira é a pergunta da minha vida. Ainda não consegui responder. Penso nisso quase todos os dias, embora seja um sujeito afeito a insistências e resistências. Não sou completamente zelig (alô Woody Allen), mas um lost in translation. Sim, o nome do filme da Sofia Coppola é a resposta que sempre recorro à pergunta. To confundindo para esclarecer (salve Tom Zé!), bem sei, mas entre as encruzilhadas que ligam Recife Rio e São Paulo, sempre escolhi as trilhas menos convencionais.

2 – Como você veio parar em São Paulo?
É samba de um enredo só: transferências. Comecei numa empresa de internet em Recife chamada Radix. Comprada pelo iBest, foi transferida para o Rio. Segui com ela. Com a fusão dos provedores iG, iBest e BrTurbo, São Paulo passou a ser minha casa.

3 – Quem for à festa do Sampaist, vai ouvir o que na pista?
Se a festa fosse hoje a seleção de músicas seria completamente diferente. Depende dos últimos 30 discos que ouço nos últimos dois dias. E salve a Internet! Hoje teria Serge Gainsbourg como inspiração. O repertório, portanto, seria composto de iconoclastia e improbabilidades. Certo mesmo é a presença de This is Radio Clash, do The Clash. Foi prometida para Capitu (colaboradora do Sampaist). É uma música que, acredito, espelha o cenário musical contemporâneo: urbano, de combate, dançante, mestiço, impreciso. Ta vendo, tudo termina numa ode a improbabilidade! É que simpatizo com as obras que não se encerram em um período, que mantenham o seu poder de sedução e transformação. O mundo impop de mashups, da remix culture (salve Lawrence Lessig!) é a minha casa.

4 – E que história é essa de Mundo Livre S/A e loja de discos?


Como guitarrista do Mundo Livre s/a participei da pré-história do manguebit. Foi nos anos 80, na praia de candeias, que conheci Fred Zero Quatro (rato, na época) por culpa do The Clash, Patti Smith, Talking Heads. Tínhamos paixão pelo punk rock e amigos em comum. À época, tocávamos em lugares pequenos para audiências menores ainda. Como a Arteviva, uma casa cheia de espelhos (uma academia de ballet adaptada à casa de shows alternativos). Foi lá que, em 87, levei minhas intervenções cheias de ruídos e tentativas de ser Andy Gill e Robert Fripp para o Mundo Livre s/a. A loja de discos, a Discossauro, inicialmente sebo de discos usados e depois especializada em CDs importados, veio após a parada do Mundo Livre s/a, motivada pela vinda de Fred para SP. Quando ele remontou a banda, no início dos anos 90, eu já era pai e vivia às voltas com a improbabilidade de vender discos não-comerciais. Uma lida que consumiu deliciosos 10 anos da minha vida.

5 – Você sabe que alguém a paulistano quando…
Me diz que essa cidade deu tudo o que conquistou na vida. Praticamente foi essa frase que ouvi dos filhos naturais e adotivos da paulicéia durante o meu primeiro mês na cidade.

6 – São Paulo para você é…
Um grande beco com muitas saídas.

7 – Depois da festa, a larica é onde?
Ainda não descobri. Mas aquela região da paulista tem uns lugares bacanas, como o Bella Paulista.

8 – Que música toca na sua cabeça quando chega à São Paulo?
Algumas tocam. Todas dos anos 80. Teu Inglês, do Fellini, é uma delas. O disco Três Lugares Diferentes é expressão de independência e daquilo que às vezes sinto quando estou perdido em São Paulo. Atropelamento e Fuga, do Skowa e Máfia. AS músicas do Akira S e as Garotas que Erraram… Não são músicas que falam especificamente de São Paulo. Representam, porém, aquilo que eu projetava da cidade, de seu cosmopolismo, generosidade à vanguarda. O pós-punk paulista me influenciou muito. E agora está sendo reconhecido internacionalmente devido em razão das coletâneas que foram lançadas lá fora: The Sexual Life of the Savages (Soul jazz) e Nao Wave: Brazil Post Punk 1982-1988 (Man Recordings).

9 – O que é que só você conhece na cidade?
É difícil dizer isso numa cidade tão plural, de sensações tão compartilhadas. Tenho sempre a impressão de que alguém do lado está alinhado com o que sinto e penso de algum lugar. Porém, quando estou entre a Augusta e a Paulista me sinto num lugar único.

10 – Você mandaria um beijo para qual paulistano?
Para uma vendedora de refrigerantes que conheci num trem, em outubro de 2004, quando estava a caminho do Sonarsounds, festival que estava rolando no Credicard Hall. Tinha ido assistir ao show do LCD Soundsystem. Ela me chamou atenção porque dizia que vendia a melhor diversão para atravessar o caminho para o fim do mundo. E sobre ele, o fim do mundo, emendava: o melhor lugar para ser feliz. Achei aquela senhora insana e fascinante. Conseguia driblar a dificuldade do dia-a-dia com poesia.

E levem dinheiro ou talão de cheque para comprar as camisetas do Sampaist no dia da festa (08/12, no Studio SP) porque é certeza que vão se encantar e querer levar uma (ou várias) camiseta para a casa!



3 Responses to “Especial Festa do Sampaist: Toca Clash, Carlos Freitas!”

  1. Carlos Freitas é meu benchmark de vida! Os melhores comentários, papos e set lists.
    Uma salva de palmas!

  2. PLAC PLAC PLAC!

  3. Todo mundo on pirate satellite amanhã na festa! ÊEEEEEEEE!!!!!!!!!! :D