Nossa primeira Zombie Walk

Quem passou hoje pelo Masp, a caixa de cimento da Lina Bo Bardi, deu de cara com corpos em putrefação, muito sangue e gemidos. Tudo por causa da Zombie Walk de São Paulo! Assista ao vídeo lá no final do post!

noivazombi.jpg Quando chegamos, umas 13h50, apenas três ou quatro monstros circulavam tímidos por ali, membros da organização do evento dando os últimos retoques no visual.

Mas a zumbizada foi saindo da tumba, do buraco do metrô e dos ônibus e dando o ar da desgraça. Uns se maquiaram ali mesmo, outros já vieram produzidos de casa, e acabaram compondo uma legião maior que a esperada.

Tinha zumbis clássicos, toureiro (tudo bem, nem todo mundo é obrigado a entender a proposta), morto-vivo afeminado, casais, crianças, lolitas ensangüentadas, a moça de Lost carregando o ursinho na corda, Jasons (classificados pelo Leandro como os monstros mais solitários, pois nunca tinham dupla ou falavam com ninguém), vampiros, cadáveres de mulheres “calientes’ e pouco vestidas (sempre atingidas por frases do naipe “vou estuprar essa zumbi” ou, enquanto se atracavam no chão e gemiam, “ta rolando um sexo oral com zumbiiiis!” ) e o Otávio Mesquita.

O que assustava mais eram as pessoas sem maquiagem que, não raras as vezes, confundimos com participantes do movimento.

Às 15h, horário marcado para a marcha, um dos organizadores conclamou todos e passou as instruções, pedindo de fossem civilizadamente pela calçada (educadíssimos), seguido por alguém que disse que se fossem atropelados, ninguém ligaria, e que iriam pela Paulista, virando na Avenida Dr. Arnaldo até o Cemitério do Araçá, no qual não entrariam (aaaahhhhhhhhhhh, gemeram os que planejavam uma festinha com os pares ainda enterrados).

Dada a largada, a chuva imprópria dividiu a horda em dois. Um grupo foi, sem medo de ver a maquiagem derretendo e bradando “vamos comer os Emos”, e o outro ficou no vão do museu, preocupadíssimo com o make up.


Achou o slideshow muito devagar? Veja as fotos diretamente no Flickr.

Divertido mesmo foi quando começou outra manifestação, do Comitê Estadual SP Contra a Repressão e Pelas Liberdades Democráticas (como esses caras não têm uma sigla?), muito preocupados e aparentemente desconcertados com a grave repressão que acontece em Oaxaca (alguém aponta no mapa, por favor?).

Dada a mescla democrática e tão típica de SP, que lotava o local, o organizador dos “defensores das universidades sem bancos e da harmonia em Oaxaca (ok, essa síntese é por nossa conta, eles que não nos leiam), disparou, veemente: “Precisamos de um pouco mais de espaço aqui. Zumbis, por favor, atrás do caminhão. Dali até a escada”.

E você pensa que eles se amotinaram? Que nada! Seguiram, finos que são, para o local determinado.

No fim, ainda com chuva torrencial, uma tiazinha vestida de motoqueira expulsou todo mundo dali para que fosse preparada a sessão de cinema que seria apresentada uma hora depois.

Isso decretou de vez a festa dos monstros Paulista afora. Pessoas com cortes horríveis, pálidas e sangrando curtiam um milk shake do Mc´Dolnalds, outros mataram a fome pós-morte com um bom almoço na praça de alimentação do Center 3.

E teve a turma que foi pra Woodstock, morreu, mas não perde uma chance de dançar na chuva e chacoalhar os braços ao melhor estilo Age of Aquarious.

Depois da caminhada ainda ia rolar uma festa, com shows e projeção de filmes bagaceiros na ONG Instituto Jovem (Rua Cardeal Arcoverde, 1383).

Fotos e texto de Lucasof. Vídeo de Leandro Meireles Pinto



8 Responses to “Nossa primeira Zombie Walk”

  1. Oaxaca é uma província mexicana que anda em ebulição política há um bom tempo, já. o governo local, do conservador PRI (partido que teve a presidência do país por anos a fio), está em choque com professores e outros representantes da sociedade civil, com direito ao uso de mílicias paramilitares armadas, infiltradas nas manifestações com roupas civis.

    o assunto ganhou maior atenção internacional, recentemente, depois que Bradley Will, um jornalista norte-americano do Centro de Mídia Independente foi morto em um tiroteio patrocinado por essas mílicias. ele estava no local fazendo filmagens e entrevistando pessoas, e acabou filmando toda a situação e tirando uma foto de seu assassino, o que acabou sendo divulgado pelo próprio CMI sob uma licença Creative Commons.

    querendo conferir, é só seguir esse link.

  2. Solon,

    Sou bem ligado ao México e estive em Oaxaca ainda esse ano. Só achei que seria mais engraçado escrever o que disse sobre Oaxaca e a situação no post depois que ouvi o discurso e vi a galera que manifestava na Paulista de uma forma meio, digamos, desconjuntada. Talvez possa ter soado leviano ou estúpido, mas a situação é importante e seu comentário foi ótimo e bem vindo.
    =)

    Obrigado!

  3. sim! achei uma internet – discada – por aqui e passei p dar um ‘oi’. adorei o post, quando estiver aí na cidade grande vejo as fotos, porque aqui só vejo um ‘x’ vermelho. que bom que vocês foram testemunhar isso. er,…Oaxaca?

  4. LUCAS: só achei que não sabias do que se tratava. posso imaginar o quão desconjuntada era, hehe.

  5. parabéns e obrigado pela ótima cobertura e fotos.

  6. gostaria de saber qdo será a próxima, infelizmente perdi essa zommbie walk… bjuuuuuuuuuuuuuuuuuuu

  7. A Zombie Walk SP 2007 será novamente realizada no dia 02/11 (sexta-feira, finados). Esse ano será ainda maior, mais estruturada e com muitas novidades. Rise from your graves!

  8. Tiipo, vocs precisaram de algum papel da prefeitura pra andar pelas rua? nao teve nenhum problema?