Pra Maradona cantar, e pra Sampa ver

hurtmold2.JPG A banda paulistana Hurtmold continua desafiando aqueles que adoram rotular gêneros musicais.

Desde que foi formada, em 1998, ela já foi chamada de “banda de hard-rock”, depois perdeu um pouco de peso e ficou apenas “rock”, algumas influências mais tarde e virou “banda experimental”, um pouco mais de sofisticação e logo passou a ser chamada de “novo jazz”… e aqui estamos novamente, tentando encaixar tanta mistureba em um rótulo só.

Não dá, claro. É um pouco de tudo, mas não dá para fugir do talvez injusto, mas por hora suficiente, “post-rock-jazz”.

Absorvendo várias referências sonoras, ao vivo a banda conta com inúmeros instrumentos tentando conviver pacificamente em um mesmo palco. A impressão é a de que estamos diante de uma mini-orquestra sendo regida por um baterista-maestro, que também toca…trompete.

O resultado dessa inusitada formação é uma musicalidade recheada de texturas. Calmas em certos momentos, para alguns segundos depois, ficarem nervosas e pesadas.

Representante brasileira no Festival Sónar de Barcelona em 2005, a banda se apresenta em São Paulo nessa sexta-feira! Sampaist conversou com o vocalista – também responsável pelo teclado, vibrafone e escaleta- Guilherme Granado, um apaixonado pela Lapa! Confira:

hurtmold3.JPG 1- Por que os leitores do Sampaist devem ir ao show?

Difícil dizer porque. A gente faz a coisa com amor e dedicação. Acho que isso é um bom motivo né?

2- Para quem nunca ouviu Hurtmold: por qual música começar?

Acho que qualquer uma do ultimo disco, ” mestro” . Eu tenho um amor especial pela
“Música política para Maradona cantar”. Acho que ela encapsula o que a banda estava passando na época que fizemos o disco.

3- Você sabe que é alguém é paulistano quando…

Quando tem pressa. De uma maneira bem ampla.

4- O mundo vai acabar em 24 horas. Como você(s) passariam o dia em São Paulo?

Eu ficaria aqui no meu bairro, a Lapa. Talvez fosse a pé até Pinheiros, na área do estudio El Rocha, para ver os amigos. Mas acho que passaria a maior parte do tempo aqui na Lapa mesmo.

5- Qual foi o melhor lugar que vocês já tocaram em Sampa? E o pior?

O melhor, não com o Hurtmold, mas todas as nossas antigas bandas tocaram num lugar que se chamava Espaço Piccollo, na Vila Madalena. Depois o nome mudou pra Empório Cultural. A atmosfera era boa, o som era bom. Vi ótimos shows lá. O pior não dá pra dizer, porque tem tanto lugar que é ruim, e é sempre pelos mesmos motivos. Descaso e ganância. É difícil eleger um só.

6- Em qual lugar vocês não tocam nem por decreto?

Vários. Por esses motivos. Não dá para tocar em lugares onde se tem descaso com quem está tocando e com quem está assistindo. Não faz sentido. Pra que tocar num lugar onde a música não é importante?

7- Depois dos shows, a larica da madrugada é onde?

Em casa mesmo viu… isso se você não considerar cerveja como um mata fome. Eu considero.

8- Que música toca na sua cabeça quando chega à cidade?

Ah, isso é difícil. Depende da época. Na última vez que cheguei em São Paulo acho que foi “Deep space 9mm” do El-P.

9- Lugar inusitado que você(s) freqüenta(m) na cidade:

Não saímos muito. Geralmente ficamos na casa de alguém, ou em um bar conversando. Gosto muito de um bar em Pinheiros, que não lembro o nome. Tem chopp bom e barato. E gosto de tomar café na Kopenhagen na esquina do estudio também. Mas nada disso é inusitado, né?

10- Você mandaria um beijo para qual paulistano?

Eu mandaria um beijo para todo paulistano que não votou nos que ganharam as eleições desse ano. Estou bem envergonhado. Agora temos Serra, Maluf, e ainda por cima Kassab na prefeitura. Uma beleza.

** Hurtmold é: Fernando Cappi (guitarra/bateria), Guilherme Granado (teclado/vibrafone/escaleta/vocal), Marcos Gerez (baixo), Mário Cappi (guitarra), Maurício Takara (bateria/vibrafone/trompete/guitarra) e Rogério Martins (percussão/clarinete).

** Ouça “Música Política para Maradona Cantar”.

** Update: o Daniel deixou o link de uma entrevista da banda que está publicada no YouTube. Clique para ver!

Fotos de divulgação.

Hurtmold no StudioSP // Discotecagem: DJ .guab. // dia 13 de outubro, sexta-feira // a partir das 22:30 horas // Rua Inácio Pereira da Rocha, 170 – Vila Madalena // R$15,00 e R$ 10,00 // Tel: 11 3817-5425



6 Responses to “Pra Maradona cantar, e pra Sampa ver”

  1. essa garotada é simpatia pura!

  2. A Lapa eu conheço bem. Agora preciso conhecer a banda. Fiquei curiosa.
    beijos

  3. A banda eu conheço bem! Agora preciso conhecer a Lapa! ;-)

  4. E eu preciso conhecer os 2.. ahah

  5. a quem interessar, joguei no Youtube uma matéria que gravei com os caras no SonarSound de Barcelona em 2005:
    http://www.youtube.com/watch?v=WNeSweWr_Ls
    eles são gente finíssima e o som é duca.

  6. Daniel, muito obrigada pelo link! Adorei. Tem até entrevistinha e tudo!