SampaTeen

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O Folhateen, suplemento de segunda-feira do jornal Folha de São paulo, a-do-ra discutir comportamento. Nos últimos meses, já passaram pelas folhas do caderno: os indies, os funkeiros-indies, os que usam dread-lock (os mais detonados até agora, já que pela reportagem, dá a impressão que se você chegar perto, volta para casa com piolho), e é claro, os emos. Os sensíveis “miguxos” e “miguxas” com suas roupas coloridas e maquiagem carregada causaram tanta repercussão, que qualquer pessoa com uma franja um pouco maior que o normal corre o risco de ser um “Emo”. Mesmo que a palavra seja, na verdade, um estilo de música (“emocore”, um…hardcore emotivo). E mesmo que, sensibilidade e franja já estejam no mundo pop há muito tempo.

Todo ano surge uma nova ‘tribo’ que segue uma nova definição para um velho tipo de música. Não passamos algumas estações sem que uma nova modinha apareça. E essa linha música-roupa-comportamento se confunde de um jeito, que ninguém mais sabe se é “Emo porque curte música triste, ou se é triste porque curte música Emo”. Aquela eterna máxima Tostines do mundo pop (frase que era antes, um lema indie).

E quanto mais as novas tribos tentam defender que é música, e não o estilo que os atraem, mais a mídia reforça o contrário. Seria muito mais fácil assumir de vez que comportamento e música sempre andaram de mãos dadas, mas daí seria violar a lei número um de todas as tribos: “nunca admita ser um…” (completar com o nome de sua tribo preferida, seja ela gótica ou a ravers de Cristo).

Pelas entrevistas e depoimentos em programas de TV, a bagunça está generalizada. Não dá mais para saber quem é punk, hippie ou clubber. E não é muito melhor assim? Somos a favor do esmalte preto em rodas de samba!!! Mas o povo gosta de segmentar, e se você usa preto, só pode ser gótico! Do Folhateen para o SBT: deram voz aos Emos e…eles não tinham nada a dizer. Nada além de um “miguxo, te Emo!”.

A reportagem exibida pelo programa do Gugu há algumas semanas, como se espera de qualquer reportagem exibida pelo e no programa do Gugu, foi constrangedora. Não pelo tom dramático, em formato de documentário (veja o vídeo!!!), e sim pela edição (e espero que seja mesmo culpa da edição), que ridiculariza os entrevistados – mas vamos combinar que a turma que eles escolheram foi um prato cheio para isso. O vídeo é didático, então, se você não tem a menor idéia do que estamos falando, dá para saber como eles falam, se vestem, se pintam, se xingam, etc, MENOS o que ouvem. A música só foi lembrada duas vezes, sendo que uma delas era uma paródia. Dá para saber também como se fantasiar de EMO e apanhar na Galeria do Rock, por exemplo! Alguns representantes do movimento foram ao programa, e como citado acima, perderam a chance de dizer algo de interessante nos dois segundos dedicados a eles.

Não sabemos como é a febre entre os (pré)adolescentes em outras cidades do país, mas em São Paulo a mania cresce a todo instante. É só assistir à MTV por mais de dez minutos. Ou comprar qualquer revista destinada a esse público. Ou então, acessar os sites de música na rede.

Sampaist aguarda ansiosamente pela tribo do ano que vem. Torcemos para que até lá, essa forma ultrapassada de retratar comportamento na mídia já tenha mudado. Se a nova turma de ‘miguxos’ não tiver nada de muito interessante a dizer, torcemos para que pelo menos o estilo musical seja bom o suficiente para justificar os descontroles na moda.

* O leitor Luciano Kalatalo enviou os links para os vídeos. Ele não é EMO, mas também ficou confuso com a reportagem.
** Se você quer saber se essa é a sua, ouça Good Charlotte e My Chemical Romance. Não é a nossa, mas somos sensíveis mesmo assim.

A tirinha do menininho emo é do Flickr Daasian



3 Responses to “SampaTeen”

  1. Nossa, o SBT se superou dessa vez!

  2. Não é? Até chorar pela avó é Emo.

  3. A Vovó foi a mais EMO da reportagem.