Marketing suburbano

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Todos os dias o caminho é o mesmo. O trajeto Jardim Europa-Ribeirão Pires deixou de ser tão desconfortável depois de gastar tempo e dinheiro usando o carro para trabalhar. Definitivamente as horas perdidas no trânsito são muito mal aproveitadas – “culturalmente” falando, se é que me entendem.

Os paulistas que nunca tiveram a oportunidade de enfrentar um “trenzão” às 19h00 de uma sexta-feira, que me desculpem: São Paulo é muito mais do que o glamour da Rua Amauri ou a violência da favela de Heliópolis.

E, quem diria, é no caminho para casa que surge a oportunidade de conhecer o lado suburbano da terra da garoa. Mas isso não é tudo. O show popular, aquele puro, sem maquiagem e sincero acontece exatamente quando a capital pára e cede espaço para a arte, manifestada das mais diversas maneiras.

E hoje o protagonista da peça foi “o amigo do Jão”, um jovem ambulante – cerca de vinte anos – cujo emprego é vender chocolates no vagão de um trem da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).

“Aê, 2 chocolate R$1 real. Tá acabando! Tá acabando!”. Não seria nenhuma novidade se não fosse a presença, quase que surreal, de João, outro adolescente que insistiu em oferecer o seu produto – o mesmo chocolate – a um preço bastante tentador: “Aê, aê, 3 chocolate R$1 real”.

O clima esquentou e o primeiro ambulante mostrou sua indignação: “O Jão, vai furá meus zóio mesmo? Vai dá o bagulho de graça?”. João retrucou: “É prá acabá! Quero ir para casa!”.

Um minuto após o incidente, o “amigo do Jão” não hesitou em disparar seu grito de guerra: “Aê, aê, aê, prá acabá, 5 chocolate R$ 1 real”. Os passageiros ficaram surpresos, boa parte deles com a boca aberta e um ponto de interrogação sobre suas cabeças. Não demorou muito para que aparecessem os primeiros interessados. Muitas notas de R$ 1 real podiam ser vistas levantadas para o alto. Como que em uma atitude de desespero João solta sua frase estratégica: “5 chocolate R$1″.

Ah, o alvoroço tomou conta do vagão. Todos queriam chocolate, mesmo sem, até então, mostrar qualquer sinal de apreço pelo doce. Eram 5, 10, o importante no momento era aproveitar o mal entendido e “se dar bem”.

Cinco minutos depois ambos vendedores saíram felizes do vagão com suas caixas vazias e metas cumpridas. Fake? Talvez! O que vale ressaltar de toda essa história é que nem sempre as melhores estratégias de marketing nascem dentro de instituições acadêmicas. Principalmente se o cenário for a mesclada e surpreendente cidade de São Paulo.

Imagem/Crédito: Flickr Elton Melo



2 Responses to “Marketing suburbano”

  1. esses vendedores de rua são muito espertos. pra mim isso é armado… :)

  2. É fake sim, eu já vi esse teatrinho umas 5 vezes na linha Presidente Altino – Jurubatuba… estratégia guerrilheira das boas.