Cultura se compra em sebo

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Sim, estou falando de livros. A diferença desta vez é que os dito cujos não são para ler e sim para “enfeitar”. Parece brincadeira, mas isso acontece em São Paulo – e em outros lugares do Brasil, é claro.

O lance é o seguinte: um “enviado divino” vai até um sebo e encomenda uma série de livros que serão utilizados na decoração de um endinheirado qualquer.

Geralmente são expostos em estantes ou mesinhas de centro. E pior, a “modalidade” é conhecida entre os decoradores e arquitetos como coffee-table books.

Os interessados podem comprar as obras de acordo com o gênero desejado. Para os moderninhos, livros “caríssimos” de arte e design, geralmente importados. Para os clássicos, literatura francesa, com direito a capa de couro e tudo.

A primeira vez que li sobre isso foi em uma matéria da revista TPM, mas depois de algum tempo comecei a perceber que outras pessoas conheciam tal modalidade.

Alguns especialistas afirmam que o tema precisa compor o “habitat natural”; misturar pintores renascentistas a ambientes futuristas pode causar estranheza e quebrar a harmonia (bonito isso, não?)

Segundo uma matéria publicada no site Clic Negócios.com, a disposição nas prateleiras também exige uma dose de requinte. Portanto, para mostra-se culto é preciso organização.

Eu, particularmente, acho deprimente comprar livros como objeto de decoração, mas há quem cultive – e ganhe dinheiro – com a idéia.

De acordo com a matéria publicada na revista TPM, há sebos em São Paulo que já venderam coleções completas por R$ 18 000,00 (mais do que vale o carro dessa pobre escriba).

Depois de toda “bizarrice” passei a questionar donos de bibliotecas muito densas e de conhecidos cuja mesinha de centro possui algum livro de artes plásticas aberto. É triste, eu sei, mas cultura se compra nos dias de hoje.

Imagem/crédito: Flickr Tak



One Response to “Cultura se compra em sebo”

  1. Mais legal é o coffe-table book do Kramer que é também uma mesinha de centro!!! ;oD