Trafegar é possível, estacionar é outra história

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Não é apenas o trânsito que incomoda o motorista paulistano. Está cada vez mais difícil estacionar na cidade. Os estacionamentos pagos, e caros, se multiplicaram nos últimos anos. A cobrança, que antes era feita por período, passou a ser feita por hora (às vezes metade dela). Para piorar a situação também é preciso pagar para estacionar na rua: em média R$ 3,00 a hora, na chamada Zona Azul. As poucas vagas livres são tomadas por manobristas, flanelinhas ou coisa que o valha. Está realmente impossível!

Segundo o site da CET a Zona Azul foi criada “com objetivo de promover a rotatividade das vagas existentes, racionalizando o uso do solo em áreas adensadas, disciplinando o espaço urbano e permitindo maior oferta de estacionamento”. Mas não há como não questionar a quantidade de áreas designadas para este fim, afinal, ainda segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego, em julho de 1975 a cidade contava com 5.000 vagas e hoje a Zona Azul opera cerca de 31.000.

O motorista, que já paga impostos devidos para utilizar as vias de São Paulo, precisa desembolsar ainda mais cada vez que quiser circular, ou pior, estacionar seu carro. Além disso, se cria um mercado paralelo de venda de talões, o que torna a cobrança não apenas ineficaz, mas injusta uma vez que é virtualmente impossível encontrar um revendedor que cobre o preço anunciado pela CET: R$ 1,80.

Infelizmente o paulistano opta ou por pagar e manter a máfia, ou por usar um estacionamento/manobrista ou por estacionar em locais proibidos, o que dificulta a convivência na cidade. A CET, por sua vez, lucra com a grande quantidade de multas que aplica, mas não investe este dinheiro na criação de formas mais inteligentes de compartilharmos o espaço público. Não há fiscalização suficiente que impeça os manobristas de impedirem os motoristas de usarem vagas através do uso ilegal de cones, ou apelando para pneus furados, retrovisores quebrados, carros empurrados. Não há fiscalização suficiente que impeça o comércio paralelo de talões de Zona Azul e muito menos representantes da companhia em todas as ruas nas quais ela aplica a proibição. Mas, impressionantemente, há marronzinhos suficientes para multar o paulistano. Alguém consegue me explicar isso?

Foto do Flickr Apenas imagens – Marília Almeida



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